sexta-feira, 2 de maio de 2014

Wagner Moura prevê reação moral ao seu personagem gay em novo filme


Wagner Moura, 37, usa a expressão "forças conservadoras" em dois momentos de uma longa entrevista dada à Folha, em São Paulo.

Primeiro, quando fala de possíveis reações negativas ao filme que lança no dia 15, "Praia do Futuro", dirigido por Karim Aïnouz, no qual interpreta um homossexual que troca o Ceará por Berlim.

Depois, ao comentar o cenário político. Wagner diz não saber em quem votar no segundo semestre e estranha a morte do coronel Paulo Malhães semanas após depor na Comissão da Verdade.

"Um cara diz publicamente que matou, torturou, fez o diabo e, no mês seguinte, morre? É queima de arquivo, mostra como as forças conservadoras são atuantes."

Para ele, "o Brasil é um país muito conservador". Chama de "falaciosa" a ideia de um país liberal. "Não tenho dúvida de que vai haver uma reação moral a 'Praia do Futuro', pelo fato de eu ser um ator popular e conhecido por um personagem como o Capitão Nascimento."



Desde "Tropa de Elite", em 2007, o ator diz que, a cada filme que faz, jornalistas perguntam como seu novo personagem se relaciona com a figura do Capitão Nascimento.

"Sempre tem aquele que pergunta se eu fiz o filme para apagar a imagem do Capitão Nascimento. Agora, então, vão dizer que fiz um veado para matar de vez o Capitão."

Wagner Moura se prepara para dirigir seu primeiro filme, a biografia do guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969). Aí, cinema e política se fundem em alvo potencial de reações negativas. Segundo ele, já o criticaram dizendo que ele vai dirigir "um filme sobre um assassino".

Enquanto trabalha com Felipe Braga no roteiro, engata um papel no outro.

Vai personificar o traficante colombiano Pablo Escobar (1949-1993) na série do Netflix "Narcos", com direção de José Padilha ("Tropa de Elite"), e cogita um monte de projetos: da chance de interpretar o jovem Federico Fellini (1920-1993) à de viver um dos atores que encarnou o palhaço Bozo.

Por Thales de Menezes Editor-Assistente da "Ilustrada" 
Fonte: Folha de São Paulo