segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lázaro Ramos e Wagner Moura estão em livro sobre a cena teatral baiana

O ano de 1997 revelou um jovem intérprete do teatro baiano. Lá estava ele nos palcos, como um malandro boêmio a se transmutar em tantas facetas do personagem de Abismos de rosas, espetáculo de Fernando Guerreiro. Então estudante de comunicação da Universidade Federal da Bahia, Wagner Moura era agraciado com a estatueta de revelação do Prêmio Braskem de Teatro (que nasceu como Troféu Bahia Aplaude em 1992). Ao colocar as mãos no objeto de desejo de tantos profissionais, disse:

- Gostaria de agradecer a Fernando Guerreiro por apostar num ator amador.

Quase uma década e meia depois, Wagner Moura é um dos atores mais poderosos do país. Ali, na noite daquela premiação, ganhava notoriedade numa das cenas teatrais mais instigantes do Brasil. O teatro baiano que, de tempos em tempos, gesta intérpretes, autores, diretores e estéticas para movimentar a arte nacional, ganhou registro de memória que salvaguarda não só esse depoimento inicial de Wagner, como registra 17 anos de produção ininterrupta, a partir da história do Prêmio Braskem de Teatro. Trata-se do livro A noite do teatro baiano, de Marcos Uzel, mesmo autor do ótimo O teatro do bando, negro, baiano e popular, a biografia do Bando de Teatro do Olodum.

- Comecei a escrever sobre o teatro baiano (como repórter e crítico) com a criação dessa cerimônia. Por cinco vezes, estive na comissão julgadora. Vi todos esses espetáculos pelo viés da festa. Esse livro contextualiza, pelo viés da memória, essa evolução. Sem querer ser pretensioso, é um importante documento da recente cena, com farto material fotográfico, destaca o autor Marcos Uzel.

No livro, é possível acompanhar a aparição dessa nova geração de atores baianos que invadiram o teatro, o cinema e a tevê. Além de Wagner Moura, Vladimir Britcha e Lázaro Ramos surgem, com destaque, em 1998, quando disputam a estatueta de ator. João Miguel vence, em 2001, pelo elogiado trabalho Bispo, o senhor dos labirintos, que faria temporada de sucesso em São Paulo, antes de ser descoberto pelo cinema nacional.

- De alguma forma, essa premiação deu o sinal de que estava atenta e reconheceu essa geração que se revelou ao país com o espetáculo A máquina, de João Falcão. Quando chegou à tevê, por exemplo, Vladimir Brichta tinha, na sua estrada, um prêmio de melhor ator por Calígula e algumas indicações. Lázaro não tem uma estatueta, mas foi contemplado com várias indicações. João Miguel foi consagrado por seu trabalho de pesquisa em Bispo, avalia.

De festa em festa, o palco do Teatro Castro Alves (o mais importante de Salvador) recebia grandes nomes das artes cênicas nacionais como anfitriões da noite, a exemplo de Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira, Dercy Gonçalves e José Celso Martinez Corrêa. A narrativa de A noite do teatro baiano mapeia a evolução daquela cena teatral. Grandes nomes, como a dramaturga Aninha Franco (mentora do Theatro XVIII), as atrizes Nilda Spencer (diva que esteve em Brasília com Ensina-me a viver), Rita Assemany (Oficina condensada e Esse Glauber), Iami Rebouças (Umbiguidades), os diretores Fernando Guerreiro, Márcio Meirelles, os grupos Bando de Teatro Olodum e Companhia Baiana de Patifaria aparecem como agentes de um teatro que se inquieta de tempos em tempos.

- Acredito que o livro mostra, sim, uma montanha-russa natural, com altos e baixos de produção, mas sempre com espetáculos muito bons, mesmo em tempos de exceção. O interessante é que, nesse recorte, a história começa com a forte presença da comédia baiana, o surgimento do Bando de Teatro Olodum, observa Marcos Uzel.

A Noite do Teatro Baiano
De Marcos Uzel, 260 páginas. Preço: R$ 36

Fonte: Divirta-se