sábado, 16 de outubro de 2010

Wagner Moura fala sobre "Tropa de Elite 2" e se diz parecido com Capitão Nascimento


Ao lado do diretor do filme, José Padilha, Wagner Moura esteve nessa quarta-feira (13), no Teatro Bombril, em São Paulo, para participar de uma exibição especial de "Tropa de Elite 2", seguido de debate com cineastas, jornalistas e fãs da trama.


Na conversa, o ator falou sobre as mudanças que o personagem Capitão Nascimento proporcionou em sua vida, demonstra sua posição sobre o descriminalização das drogas, diz como vê a política hoje e sobre a violência tanto da polícia quanto dos traficantes no Rio.

Sempre discreto sobre sua vida pessoal, o ator comentou também sobre a relação com seus filhos Bem, de 4 anos, e Salvador, de quase 3 meses, de seu casamento com Sandra Delgado. Confira...


Wagner Moura: "Na minha época, a juventude era alienada"

VIDA PÓS-CAPITÃO NASCIMENTO

"Quando eu fiz o primeiro 'Tropa de Elite', eu me tornei um artista muito mais popular do que eu era, muito mais conhecido, porque o filme fez um sucesso extraordinário. O Nascimento é um personagem que ficou no terreno mítico, um personagem muito político, mas como uma dimensão muito pop também. É um personagem importantíssimo na minha vida e fazê-lo de novo só corrobora isso."

JOVEM X POLÍTICA

"Na minha época, a grande maioria dos jovens era bastante alienada de política. Não sei se o tempo todo, mas no período da ditadura a gente era moleque. Na época dos cara-pintadas, saía só para pegar mulher, beber uma cervejinha, e hoje eu vejo um interesse muito maior, tanto das pessoas mais jovens, tanto o interesse de gente legal que quer entrar para algum partido. E eu acho que se um filme como esse, político e ao mesmo tempo um filme que conseguiu ser um fenômeno de cultura de massa, ajudar a garotada a pensar e refletir sobre política só contribui."

LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS

"Acho que a criminalização e a repressão geram a violência. A política de repressão não tem funcionado. Eu vejo a questão das drogas como uma questão de saúde pública. Eu sou a favor da legalização das drogas, a começar pela evidente necessidade da legalização da maconha, e digo isso como cidadão, de forma quase irresponsável porque não sou nenhum especialista em drogas, acho que isso deve ser visto por pessoas muito mais gabaritadas do que eu. O que eu constato é que a repressão é ineficaz, só gera mais morte e tiroteio, e tem muito mais gente morrendo na guerra do tráfico, do ilícito, do que propriamente usando a droga."

RELAÇÃO COM OS FILHOS

"O Nascimento é um personagem muito frágil. Ele sofre por estar dividido entre a vida familiar e o trabalho. Assim como ele, eu também morro de medo de decepcionar meus filhos. É assim que acontece. Os pais com medo de decepcionar os filhos e os filhos com medo de decepcionar os pais. Em relação a ter medo do futuro, na verdade, eu vejo meus filhos e seus coleguinhas e boto a maior fé nas crianças, nesta geração. Hoje, eles estão muito mais politizados, muito mais interessantes do que a minha geração. Nossa democracia é muito jovem, para um estado que a gente quer, com instituições fortes, imprensa livre."

Fonte:
Ig Gente