terça-feira, 28 de setembro de 2010

Wagner Moura defende seu personagem golpista em "Vips"

Ator lança filme no Festival do Rio e concede entrevista exclusiva ao iG







A brincadeira sobre o personagem que Wagner Moura interpreta no filme “Vips” é que ele é o 01, 02, 03, 04, 05 e 06 do longa. Bem diferente do Capitão Nascimento – que volta aos cinemas agora em outubro com a continuação de “Tropa de Elite 2”, “Vips” tem uma pegada mais romanceada. A história, dirigida por Toniko Melo, gira em torno de Marcelo do Nascimento, que se fez passar por Henrique Constantino, filho do dono da companhia aérea Gol, em um Carnaval no Recife e acabou preso – isso depois de ser piloto do narcotráfico e se envolver em vários golpes.

De cabelo louro, comprido, meio “emo”, Wagner expõe sua versatilidade e vai se transformando a cada nova aparição. O que causa até certo riso na plateia. A história da ficção se confunde com a da realidade, apesar de algumas cenas nunca terem existido.

Marcelo hoje está preso por falsidade ideológica, entre outros crimes. Wagner, em entrevista ao iG, não consegue enxergar tanta maldade no papel.

“Quero reafirmar que meu personagem não é um falsário. O meu personagem é de um garoto que está se procurando, caçando sua identidade, não é um bandido ou 171”, diz ele. Sobre o filme policial, “Tropa de Elite 2”, ele diz que o público pode aguardar boas surpresas.

“Tropa 2 é superior ao primeiro”, compara.

A seguir o papo com Wagner.

iG: No que este trabalho diferente dos últimos que você tem feito no cinema?
WAGNER: Eu procuro sempre fazer trabalhos diferentes. O momento está muito bom para investir em coisas novas. O “Vips” é diferente por contar a história de um garoto que não sabe direito quem ele é, e por isso vai inventando uma série de identidades para ele.

iG: Você faz um personagem que se transforma em vários ao longo do filme. Foi complicado chegar a um consenso sobre quem seria ele?
WAGNER: É interessante porque são vários personagens dentro de um só, são várias personalidades para uma só pessoa. Ele passa a acreditar que ele é outras pessoas. É um filme bem bonito, estou super feliz com o resultado. Tem um bom potencial para agradar ao público.

iG: Chegou a conhecer o Marcelo, personagem real que inspirou o filme?
WAGNER: Não conheci. Acho que este personagem em nada tem a ver com o cara de verdade, que realmente existe. Na minha concepção de personagem, quanto mais eu procurava saber dele, menos me interessava por fazê-lo igual. Me interessava sim pelo personagem que o roteiro tinha.

iG: Como identificar um falsário na vida real?
WAGNER: Sei lá, cara! Mas quero reafirmar que meu personagem não é um falsário. Ao contrário do cara que realmente enganou a todos na vida real, e que está preso até hoje, o meu papel é de um garoto que está se procurando, caçando sua identidade, não é um bandido ou 171.

iG: É um personagem sem identidade, em um quadro de psicopatia.
WAGNER: Aí a gente vai entrar numa seara difícil de julgar. Psicopata é um cara que está colocando seus objetivos acima de tudo, só para conseguir o que quer. Meu personagem é diferente, é um garoto que se preocupa com os outros mas, apesar disso, está numa outra razão, em outro terreno de percepção da realidade.

iG: Nas próximas semanas chega aos cinemas “Tropa de Elite 2”. Você já viu o resultado final?
WAGNER: Vi algumas vezes. Adorei, e tenho afirmado que, para meu gosto pessoal, este é um filme superior ao primeiro.

iG: “Tropa” tem força para completar uma trilogia? Podemos esperar mais uma continuação?
WAGNER: Isso é muito difícil de dizer agora.

iG: Pensa em fazer novela em breve?
WAGNER: Não, não.

Fonte: IG