quinta-feira, 23 de setembro de 2010

'Tropa 2' é mais maduro, é mais bem filmado', diz Wagner Moura

Filme se passa no nível da segurança pública, diz diretor José Padilha.


Longa vai mostrar como funciona negócio das milícias, que rende milhões.

"'Tropa 2’ é mais maduro, é mais bem filmado. Os personagens são mais bem construídos e isso se reflete no protagonista. Nascimento é muito mais consciente que no primeiro filme.” A opinião é do ator Wagner Moura, que viveu na pele o cotidiano do capitão da polícia mais famoso do Brasil, Nascimento. Por conta dos bons serviços prestados à corporação, nesse filme, Nascimento é coronel, agora pai de um adolescente.

O diretor José Padilha também falou sobre o realismo das cenas, sobre como a realidade e a historia do Rio estão na tela. Em certas cenas, foram utilizados dois helicópteros, cem figurantes, caveirões. A gravação de uma invasão feita pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM do RJ) a uma favela de verdade tinha tudo o que exige o figurino. Era até real demais. Um pavor para o morador que já viu esse filme tantas vezes.

"Aquela filmagem tinha sido avisada. Só que a população comum não percebeu. Quando as pessoas começaram a ouvir tiro vindo do helicóptero preto e não sei mais o que, todo mundo ficou assustado. O que não é de se estranhar numa cidade como o Rio de Janeiro", conta o diretor José Padilha.
Irandhir Santos será Fraga, no filme 'Tropa de elite 2', um defensor dos direitos humanosIrandhir Santos será Fraga no filme 'Tropa de elite 2', um defensor dos direitos humanos (Foto: Divulgação / Alexandre Lima)

“Tropa 2” não é um documentário, mas quase poderia ser. Rebelião em presídio de segurança, execuções, a chegada do Bope: está tudo lá, sem anestesia. E é exatamente a sensação de que o buraco é mais em cima que o filme quer retratar.

"No ‘Tropa de Elite 2’ isso se passa um nível acima da polícia. Se passa no nível da segurança pública. Entre a polícia e a política", diz Padilha.

O filme mostra como funciona o grande negócio das milícias, que rende uma fortuna. Porque onde o tráfico ganhava dinheiro no varejo de quem consumia drogas, a milícia ganha no atacado. Imagine que cada morador de cada casa, cada comércio paga uma taxa. Alias várias taxas. Essa e a realidade de cerca de 200 comunidades hoje no Rio de Janeiro.

A história de Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Bope, serviu de inspiração para o personagem interpretado por Wagner Moura. Ele explica o que é de fato o crime organizado.

"O crime organizado tem simbiose com o poder político. Em todos os níveis. Desde o nível do soldado, do policial ali na rua, até a Assembléia Legislativa, até o Poder Executivo. O narcotráfico nunca conseguiu isso no Rio de Janeiro. A milícia consegue isso em menos de dez anos", explica Rodrigo Pimentel.
Pedro Van-Held e Wagner Moura em cena de 'Tropa de elite 2'Pedro Van-Held e Wagner Moura, pai e filho em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

A milícia nunca esteve tão forte no Rio. E até drogas agora algumas já vendem.

"Nada mais difere a milícia do traficante. Matam, assaltam delegacias policiais, vendem cocaína. É muito pior do que a pior facção criminosa do Rio de Janeiro. Absolutamente sem limites", acredita Rodrigo Pimentel.

Milícia de um lado, traficantes do outro. O poder absoluto sobre os moradores continua.

Pirataria

Na sala de projeção o diretor José Padilha está sozinho, vulnerável apenas diante de um crime.

O primeiro “Tropa de Elite” sofreu com a venda de cópias piratas do filme quase três meses antes do lançamento oficial nos cinemas.

Segundo os produtores, as cópias piratas foram assistidas por 11,5 milhões de pessoas. Desta vez vai ser diferente: o filme foi blindado, teve proteção de chefe de estado.

"No ‘Tropa de Elite 2’ não vai ter pirataria. A gente montou um esquema, uma equipe de segurança com vários policiais trabalhando na segurança dos vários locais em que o filme estava sendo processado”, diz José Padilha.

"Além disso, todas as 600 cópias que a gente vai fazer para enviar aos cinemas têm dentro delas um código. Elas são numeradas. Então se algum espectador do cinema lá, pirata, entrar e filmar a cópia, a gente vai saber em que cinema isso aconteceu”, acrescenta o diretor.

Fonte: G1