quarta-feira, 12 de maio de 2010

Acompanhamos os bastidores do do lançamento do primeiro CD da banda de Wagner Moura

Acompanhamos os bastidores do do lançamento do primeiro CD da banda de Wagner Moura

SALVADOR - Chegando ao estúdio para o ensaio da banda, em Salvador, o baixista Serjão Brito pergunta ao vocalista Wagner Moura se ele viu sua case e ouve a resposta: "Está no meu carro, pega lá." Ingenuamente, Brito solta: "Mas você botou no fundo?" As palavras detonam uma explosão de "opas", gargalhadas e sorrisos maliciosos entre os músicos, enquanto o baixista tenta se defender sem muito sucesso do ataque adolescente - vindo de uma turma de marmanjos na casa dos 30. Sua Mãe tem dessas.

A cena revela muito da relação entre os sete integrantes da banda baiana de nome engraçadinho - formada há 18 anos, quando eles eram realmente adolescentes, colegas de colégio -, mas pouco da música de gente grande que mostram em "The very best of the greatest hits" (independente), CD de estreia cujo show de lançamento no Rio está marcado para o próximo dia 20, no Teatro Odisseia.

Ouça a música do Sua Mãe, "Vanessa e o véu"

A lista dos discos favoritos da banda Sua Mãe


Ou melhor: pelo diálogo, dá, sim, para se vislumbrar um tanto do que é o som do grupo. Afinal, difícil pensar que não há algo de humor adolescente numa banda que carrega em seu nome tal marca:

- É nome de banda de garoto, >ita<né? - explica Wagner Moura. - Quando criamos, pensamos nas pessoas falando coisas tipo "vamos ver o show da Sua Mãe".

Ou variações mais sacanas, como a que Brito, agora no ataque, dirigiu ao repórter, para explicar que tocava apenas na banda:

- Sou fiel à Sua Mãe.

Definir a Sua Mãe por aí, porém, é ficar na superfície. Os interesses dela vão muito além da piada fácil. O conceito que amarra suas canções tem sofisticação adulta: a afinidade entre a melancolia do rock britânico - sobretudo da década de 80 (Smiths, Joy Division, Cure) - e a que viceja na tradição brasileira que se convencionou chamar de cafona (Reginaldo Rossi, Waldick Soriano, Odair José).

- Prefiro o termo música superpopular brasileira, MSPB. Não existia essa hierarquia para mim em Rodelas (cidade onde o ator/cantor nasceu), nos botecos do sertão era tudo misturado - diz Moura, chamando atenção para a proximidade entre Smiths e Odair José. - Se você ouvir versos como "And if a ten ton truck kills the both of us/ To die by your side, well, the pleasure and the privilege is mine" ("Se um caminhão de 10 toneladas matar nós dois/ Morrer ao seu lado, bem, o prazer e o privilégio é meu", de "There's a light that never goes out", do Smiths), isso é quase "Eu vou tirar você desse lugar" (de Odair).

Fonte: O Globo