segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sarah apresenta Wagner Moura


por Sarah Oliveira

Wagner Moura é um cara digno de aplausos, de bons textos, de produções impecáveis, do respeito do público e do amor da mulher, a quem ele chama carinhosamente de "San" e com quem vive um relacionamento de cumplicidade desde 1994, quando se conheceram no curso de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia. Juntos têm um filho de 2 anos, Bem, razão pela qual Wagner de cara se derrete:

“Se eu pudesse, enchia o mundo de filhos. Bem é prioridade total na minha vida”.

Na TV, no cinema, no teatro, atuando ou cantando, ele sempre emociona. "Hamlet" fez sucesso em São Paulo e no Rio de Janeiro. Direção, trilha sonora, figurino, luz, cenário, tudo faz você concordar que ele merecia concretizar esse sonho.

Pra quem não sabe, a execução de "Hamlet" no palco era um desejo antigo de Wagner Moura, que leu o texto de Shakespeare pela primeira vez na adolescência. Foi por isso que, após o término das gravações da novela global "Paraíso Tropical", ele focou toda sua energia no projeto: traduziu a peça, bancou a produção e chamou quem quis para trabalhar ao seu lado. Conseguiu. E nós saímos ganhando – mesmo aqueles que vão ao teatro pra ver o Capitão Nascimento ou pra matar as saudades do Olavo da novela. Sim, o cara popularizou "Hamlet" no Brasil.

Mas aos 33 anos, a atenção dele também se volta para outro horizonte – o da música. Sua Mãe é o nome da banda em que ele canta e faz um som ao lado de seus amigos de infância. E foi sobre esta nova vertente de sua carreira que ele conversou comigo.

S: Que história é essa de banda?
Engraçado. As pessoas estão conhecendo agora o Sua Mãe, mas eu tenho esta banda há 17 anos. São amigos de longa data. O Gabriel, guitarrista, eu conheci na escola, e os outros vieram depois, na faculdade de Jornalismo. A gente curtia muito o rock inglês do anos 1980, como Muse, Smiths, Radiohead, e também sempre se amarrava em compositores da música que chamamos de "super popular brasileira". Até hoje é a mesma coisa, só que agora, além dessas releituras, tocamos também composições nossas. A gente se diverte tocando, é como se estivéssemos celebrando a amizade. Como todos são de Salvador, para conseguirmos fazer um show fora de lá não é tão simples (risos). Tem que pedir autorização do chefe e tal.

S: É seu momento de descontração...
Eu gosto tanto de estar no palco com essa banda que estou gostando mais disso do que de qualquer outra coisa (risos). Sério! É bom demais. Você curte seus amigos, seu som, dança, toma uma cerveja. No teatro, no cinema ou na TV, tem ensaios exaustivos, preparação de voz, de corpo, marcação de câmera, de luz etc. Aqui a proposta é outra. Só pra você ter uma ideia, eu estou curtindo tanto essa história que, mesmo em cartaz com "Hamlet" no Rio de Janeiro, já inventei a maluquice de fazer bate-volta para São Paulo para tocar no Studio SP e para Curitiba, onde fizemos um show no Festival de Cinema de lá.

S: O fato de você gostar desse tipo de música que você chama de super popular brasileira tem algo a ver com sua infância?
Tem sim. Cresci ouvindo isso. Eu digo que a gente se diverte muito, mas não é uma banda de paródia, sabe? Não queremos fazer graça com os compositores. Eu de fato gosto muito de Odair José, Waldick Soriano, Reginaldo Rossi, Barreirinho, Roberto e Erasmo... Eu canto com o coração arrebatado mesmo. Acho lindo quem compõe sem medo de parecer cafona e diz tranquilamente eu te amo. Eu, quando estou no palco, entro nessa. "Eu vou tirar você desse lugar" (de Odair José) é uma das mais bonitas do cancionário brasileiro, por exemplo. Cantá-la é maravilhoso. Minha família é do Sertão da Bahia, eu vim do interior, de Rodelas. É o que toca lá. Amo "Côncavo e Convexo", do Erasmo e do Roberto. Minha mãe ADORA.

S: Sua mãe já foi num show da banda?
Não! A Sua Mãe ainda não teve a minha (risos). Ela já me viu tocando com os caras na época da faculdade, mas não agora. Mas ela ama ouvir nossa demo "The Very Best of the Greatest Hits of Sua Mãe".

S: Pensam em gravar um cd?
Estamos esperando convite de uma gravadora grande que queira trabalhar com músicos semiprofissionais com pouco tempo pra fazer show (risos). Mas, sério, estou super a fim de entrar em estúdio. Acredito muito nesse conceito da mistura do rock inglês com o popular da melancolia brasileira.

S: Acho interessante pensar que você populariza "Hamlet" (como Shakespeare fazia em 1600) para o grande público e também torna acessível um som que é popular, mas desconhecido deste grande público, ouvido por uma audiência mais específica, mais regional...
Sabe que eu nunca tinha pensado nisso? (risos)

S: E de quebra mostra que esses compositores super populares tem um valor imenso pra nossa cultura...
É verdade... [diz pensativo]. Acho que tô adorando ser um artista popular! (risos)

S: "Hamlet" é isso, não?
Total!! É um texto feito de pérolas da filosofia ocidental. Pegamos uma peça considerada difícil, hermética e com um personagem complexo, mas não tem nada que o público não consiga entender. As pessoas se envolvem totalmente. É muito bom mostrar que Hamlet é acessível.

S: Oito meses em cartaz em São Paulo confirmam o que você disse....
Uma alegria! Veio gente de todo lugar. Até de fora do país. Foi surpreendente. Fomos estendendo, estendendo... E deu no que deu. Fomos muito bem no Rio também.

S: Já cantou em cena?
Fiz musicais na Bahia. Ópera de Brecht ("Mac Navalha"). Cantei num musical ótimo com músicas de Lupicínio Rodrigues [Wagner começa a cantarolar: "Você sabe o que é ter um amor, meu senhor...."].

S: Como se prepara?
Aqueço a voz, falo baixo em conversas e entrevistas e bebo muita água.

S: E TV?
Sem projetos agora. Tava curtindo o "Hamlet", coisa mais preciosa que já produzi, e tenho dois filmes agendados pra fazer. Um é com Tonico Mello em São Paulo, chamado "Vips", sobre a história de um cara que não sabe quem é e se faz passar por outro. E começo a rodar "Tropa de Elite 2" no início do ano que vem. O "2" será melhor que o primeiro. Eu, o Zé (Padilha), o Bráulio (Mantovani) e Marcos Prado vamos fazer melhor ainda. Você vai ver. Vai ser mais relevante. Tem muita coisa pra “futucar” nesse país. A violência, a falta de segurança pública, a corrupção na polícia e no poder público...

S: Você fica direto entre Rio, Sampa e Salvador. O que mais curte fazer em cada cidade?
Em Salvador, estar com os amigos, não fazer nada... No Rio, ficar em casa e, em São Paulo, ver cultura.

S: Por último, que imagem você acha que as pessoas têm de você? Isso condiz com o que você é na vida real?
Sarinha, juro que eu não faço ideia do que as pessoas pensam de mim. Sei que muita gente curte meu trabalho, mas não imagino o que pensam da minha vida. E acho bom assim.

“Questionário colherada”, por Wagner Moura:

S: O que você gosta de comer de colher?
Farinha láctea.

S: Pra quem você dá uma colher de chá?
Todo mundo merece.

S: E quem merece uma colher de sobremesa?
Todo mundo, mais ainda.

S: Em quem você bateria com uma colher de pau?
Ninguém.

S: Onde você meteria sua colher?
Onde for chamado.

Fonte: Colherada Cultural

2 COMENTE! :

nivea disse...

como é maravilhoso entrar nesse blog e ver nosso lindo super hiper mega ator Wagner Moura. TUDO!!! WAGNER É SONHO EM FORMA DE GENTE

bianckr disse...

O waguinho elle e tudoo de boom eu adoroo elle de maiiiiiiiissssssss