terça-feira, 7 de julho de 2009

Depoimento de fã



"Eu sabia que as chances de falar com ele poderiam ser poucas, mas eu também sabia que com certeza eu ia lutar e lutar muito para conseguir este feito."

Não era um dia normal. Eu ia ver Wagner Moura. Não o cara da televisão, da novela, do cinema. Eu ia ver, vamos dizer assim, a minha inspiração! Meu ídolo! Que por um acaso está fazendo o personagem-título da peça Hamlet.

Era o meu presente de aniversário de 15 anos. Eu tinha esse desejo há mais de um ano, desde a primeira temporada em São Paulo, desde o dia 20/06/2008. Não consegui ir. E no dia 21/05/2009 estava completando 15 anos, ou seja, seria um ótimo presente de 15 anos assistir a peça no Rio de Janeiro, onde ela estava em cartaz mas não consegui ir.

Um ou dois dias depois do dia 11/06 alguém da comunidade dele no Orkut postou lá qual seria a turnê da peça pelo resto do Brasil e adivinha: ela iria a Recife. Consequentemente, Wagner Moura iria a Recife. Consequentemente, eu iria a Recife. Estava chegando a minha vez.

Eram nos dias 27 e 28/06. Nem precisa falar que dia 27 é aniversário dele, né? Compramos (eu e minha mãe) na fileira 12 desse mesmo dia, 27. Meu sonho estaria se realizando e eu ganharia o meu presente. Só poderia ser melhor se eu conseguisse falar.

Saí daqui de Maceió às 13:30 do dia 26. Cheguei 17:30 e ficamos na casa da amiga da minha mãe. Voltaríamos dia 28 às 8 da manhã.

O dia 27 amanhecia na janela cheia de quadrados, na varanda cheia de plantas e no resto da Grande Recife. Eu não sei descrever a sensação que senti de saber que estava somente há horas de vê-lo ao vivo (e da possibilidade de conhecê-lo) e há, talvez, alguns quilômetros de distância. Eu sabia que as chances de falar com ele poderiam ser poucas, mas eu também sabia que com certeza eu ia lutar e lutar muito para conseguir este feito. O dia estava passando e eu pensando com que roupa ir, pensando no que falar com ele, pensando em como falar com ele. Ah! Pensando também em como eu iria reagir ao vê-lo.

Eis que a hora chegava. Saímos às 4 horas da tarde de Parnamirim, para antes de chegar ao teatro da UFPE conhecer o Recife Antigo. Marco Zero, shopping da Alfândega, livraria Cultura. Casa do Pão de Queijo – Lanche. 18:40 – É chegada a hora. “Vamos!”.

Mas como todo momento importante na sua vida que você cria expectativas, tinha que ter uma aventura – No caso, para chegar lá. Justamente o ônibus que passava por pela UFPE não passava aos sábados. E eu, angustiada, aflita, com medo de perder o começinho da peça onde ele dá “boa noite”. Mas ainda bem que tudo se resolveu: pegamos um ônibus até determinado lugar, de lá pegamos um táxi e chegamos a tempo. Graças a Deus! Rs. Pensávamos que o táxi seria mais caro.

Chegamos. As 7 e 40 da noite. Saímos to táxi e meu coração estava a mil. Entramos lá no “saguão” e tinha uma fila enorme pra entrar no teatro. Aliás, duas filas enormes. Era difícil encontrar os fim delas.

Aí a vontade apertou e fui ao banheiro. Quando terminei e me olhei no espelho de lá, eu senti que o dia, a hora, o minuto tinha chegado. Como eu já disse aqui, já o admiro há dois anos, apesar de desde 2003 já saber que ele tinha um talento especial. Foi uma coisa muito mas muito doida! Eu já tinha vivido algo parecido, quando eu fui a show do Titãs e vi outro cara que eu gosto muito que é o Paulo Miklos mas apenas no palco (e quando a van deles passou por mim com o vidro fumê) mas com o Wagner era diferente: sou mais fã e há mais tempo.

Voltei do banheiro e a cada minuto que a fila andava eu ficava mais nervosa. E no meio de tanta gente e tanta movimentação eu encontrei Sandra Delgado e acabei ficando ainda mais nervosa. Quando olhei pela primeira vez eu não tinha certeza se era ela mas eu olhei de novo e vi que era (aliás, cercada de muita gente. Nada de segurança; família mesmo). Eu não sei o que me levou a fazer isso (como que eu não sei? Era a mulher dele, oras! rs), fui até ela falar com ela – Na maior cara dura, rs (ela estava quase entrando no teatro quando eu a chamei; acho que foi pura sorte).

Com medo, a chamei:

- Ei!

Ela para de andar e fala:

- Oi.

- E... Você é a Sandra Delgado?

- Sou.

- Parabéns pelo seu marido! (acho que não deveria ter falado isso)

- Obrigada.

- Pra você também! Eu já vi alguns trabalhos seus...

- Obrigada. E o desespero me fez falar:

- E... Eu queria entrar no camarim depois da peça!

Fiquei sem resposta, pois um cara estava “a empurrando” para dentro e me afastando. Eu devia me arrepender por ter feito isso. Sei que ele não gosta que seus fãs façam isso. Não gosta, não: odeia.

Então, Finalmente entramos no teatro. Teatro grande. Lotado. E a eu ficava cada vez mais nervosa, cada vez mais com mais emoção no coração e nos olhos.

O cenário? Incrível, ainda farei um daqueles. As nossas cadeiras estavam equivalente á altura do palco, talvez por isso uma ótima visibilidade.

8 horas da noite, o primeiro toque. Segundo, algumas fotos, mais gente entrando as cadeiras sendo ocupadas. 20:30, o terceiro toque. “Se eu chorar, não liguem”, falo.

E entram os atores. Caio, Georgiana, Tonico, Fábio e Gillray me impressionam (sem desmerecer os outros, é que estes eu estou acostumada a ver na televisão). Por último entra o Wagner, e este, claro, me impressiona mais ainda. Meu sonho estava se realizando exatamente naquele momento. Luzinhas se acenderam nos meu olhos. Era Wagner Moura quem eu estava vendo. O Cap. Nascimento, o Olavo, o Boca, o Hamlet, mas mais importante ainda, era o ator Wagner Moura, meu ídolo. Este diz o “boa noite” e os avisos de desligar os celulares e câmeras que eu esperava. De uma forma gentil e educada, tentei responder o Boa Noite dele me sobressaindo. Fracasso. Mas não há problema.

Então começa a peça. Longa e maravilhosa. Como muitos que já tinha visto disseram, ele estava irreconhecível. Atores muito bons e a comunicação com clareza. Ao passar do tempo eu fui me acalmando, assim como com o Paulo Miklos, pois aquilo já era uma realidade e eu não podia mudar, felizmente. Estava feliz (eu ainda não falei isto aqui, mas eu li o livro e vi um dos filmes só para a peça. Ele me fez ler Shakespeare).

Fim do primeiro ato. Intervalo de 15 minutos. Não consegui segurar e fui ao banheiro mais uma vez e por isso perdi o começo do segundo ato. Quando voltei foi na direção do Wagner que estava no centro do palco. Tive a sensação de estar ao encontro de seus braços! (Brincadeira rs)0

O segundo ato é mais curto (...) No final, todos aplaudem. Eu fui uma das primeiras a se levantar para aplaudir de pé. E depois, todos cantamos parabéns para ele; pra não perder a oportunidade, fui pra frente para tirar uma foto dele.

Depois fui perturbar o segurança mais uma vez que estava na porta para a entrada do camarim (tinha ido no intervalo da peça). Depois de muitas “encheções de saco”, cenas para a produtora, um Oi para Gillray Coutinho (retribuído com um singelo sorriso) e muita espera, consegui subir no palco, passar pela cochia, por trás de tudo e achar o camarim. Era uma sala grande com uma mesa com comes e bebes, bolo do tema Hamlet, família e amigos dele, além de outros atores da peça como o Fábio Lago com quem eu falei.

Posso dizer que foi o melhor momento da minha vida, pelo menos até agora. Quando estava o procurando no meio de tanta gente, vejo o querido ser que me afoita há muito tempo bem distante de mim ao vivo. Do meu lado. Cheguei junto e falei:

- Wagner!

Ele olhou pra mim. Eu olhei pra ele e tive certeza que era ele! Meu sonho estava se realizando! Eu estava conhecendo, falando com meu ídolo. Fiquei paralisada com as mãos tremendo. A única coisa que eu consegui falar, ou melhor, perguntar naquele momento foi:

- Posso te dar um abraço?

E ele, como uma pessoa boa, recíproca e simplesmente comum, disse:

- Vem cá. Deixa eu te dar um abraço!

Não agüentei. O agarrei como se fosse minha mãe que tivesse passado dez anos longe de mim e desabei a chorar. Fui afagada com a seguinte frase: “não chora, lindinha!”. Daí falei o que eu sentia, falei pra ele tudo o que eu disse neste texto e me pareceu que ele gostou das coisas que eu lhe falei no dia do seu aniversário. Pedi o que era pra ser pedido: foto, autógrafo. Entreguei ainda um poema que eu tinha feito pra ele. E declamei! Não saí de lá até eu dizer tudo o que tinha para falar. Só fui embora quando ele foi também. Agora que já passou, percebi que deixei de falar muita coisa, mas percebi que falei o principal. Foi o meu presente de aniversário de 15 anos no dia do dele de 33.