sábado, 13 de junho de 2009

Teatro Odylo Costa filho recebe Wagner Moura na pele de Hamlet



Escrita por William Shakespeare na virada do século XVII, a tragédia de Hamlet permanece como a peça mais celebrada em toda a história do Teatro Mundial. Desta vez, o texto volta a ser encenado com o frescor e o despojamento que marcaram sua estreia, há quatro séculos. Nos dias 18, 19 e 20 de junho, a bem sucedida montagem com direção de Aderbal Freire Filho entra em cartaz no Teatro Odylo Costa, filho da UERJ em curtíssima temporada popular.

Para ser fiel ao universo shakesperiano, Aderbal resolveu fazer uma nova tradução da peça, assinada em parceria com a professora de inglês Barbara Harrington e o próprio Wagner Moura.

- Nossa tradução não privilegia o literário, mas busca a humanidade do que é dito. Não foi feito nenhum corte, mas conseguimos deixar o texto mais comunicativo - avalia o ator.

- Descobri muita coisa traduzindo. 'Hamlet' é a peça de Shakespeare que mais fala sobre teatro: esse foi o mote de minha direção. Em cena, teremos os atores sempre no palco, como se fossem uma companhia de teatro contando a história - explica o diretor, que tem outra peça do bardo inglês no currículo, 'As you like it', montada em 1985.

A concepção do espetáculo é baseada no famoso conselho de Hamlet aos atores, no terceiro ato da peça, quando ele usa uma companhia de teatro para encenar a morte de seu pai, o rei Hamlet, na frente de seu algoz e sucessor, Claudio (Tonico Pereira). Hamlet pede para que os atores esqueçam o tom impostado de representação e respeitem o texto, assim como Aderbal pediu ao elenco desta versão:

- Quero manter Hamlet vivo, como se dissesse o texto pela primeira vez e não repetindo palavras impressas. Quero que as pessoas entendam o que acontece no palco. O espetáculo é natural, acontece no presente, mas não é naturalista e nem de época - frisa.

O diretor foi o primeiro nome lembrado por Wagner para o projeto, um sonho acalentado desde a adolescência e antigo desejo de Aderbal, também responsável pela última peça do ator, "Dilúvio em tempos de seca" (2004).

- Nos ensaios, percebi que meus outros personagens tinham uma sombra de Hamlet, alguns também não tinham pai e eram sombrios ou melancólicos - diz sobre a construção do atormentado príncipe da Dinamarca.

Para a preparação, o ator assistiu a uma série de versões do texto no cinema, em filmes estrelados por Laurence Olivier, Innokenti Smoktunovsky, Mel Gibson, Adrian Lester, Kenneth Branagh, Blair Brown e Ethan Hawke. Um dos maiores especialistas em Shakespeare, o crítico literário inglês Harold Bloom chegou a afirmar certa vez que "o personagem é dotado de brilho espiritual e intelectual superior ao de todos nós, humanos, e de seus intérpretes, inclusive". Wagner concorda quanto às diversas facetas de Hamlet:

- Ele é muitos e cada intérprete é um Hamlet diverso, não só porque os atores são diferentes, mas o personagem é tão complexo que nos comporta a todos - analisa.

Com dez atores, o elenco traz nomes como Georgiana Góes (Ofélia), Caio Junqueira (Horácio), Fábio Lago (Laerte) e também a dupla Gillray Coutinho (Prêmio Eletrobras por 'O Púcaro Búlgaro') e Candido Damm, parceiros de longa data de Aderbal. Carla Ribas volta ao teatro para viver a rainha Gertrudes, depois do êxito como protagonista do elogiado longa 'A Casa de Alice', selecionado para a última edição do Festival de Berlim.

Recém-premiada com o Shell por 'As Centenárias', a dupla Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque assina a cenografia. De acordo com a proposta da direção, eles deixam o palco vazio, com poucos elementos e um espaço lateral onde os atores ficarão quando não estiverem em cena. Algumas projeções - com imagens de cena filmadas em tempo real - ilustram a parte central do cenário em momentos específicos.

Apesar de uma discreta inspiração na Renascença, os figurinos de Marcelo Pies não determinam época nem local.

- As roupas são neutras, equilibram o épico com o atual, mas não são roupas de hoje em dia. O espetáculo mostra uma atualização profunda, mas não busca a modernidade aparente - analisa Aderbal. Parceiro do diretor em uma série de trabalhos, Maneco Quinderé é o responsável pela iluminação.

A trilha sonora ficou a cargo de um estreante na área: Rodrigo Amarante, que até o ano passado integrava o quarteto Los Hermanos. Apaixonado por teatro, o músico assistiu aos últimos trabalhos de Aderbal e se ofereceu para fazer a música de um próximo espetáculo. Ele apresentará canções inéditas, compostas especialmente para a montagem.

A tragédia de Hamlet

No Castelo de Elsinor, na Dinamarca, o fantasma do Rei Hamlet aparece para seu filho, o príncipe Hamlet, e exige uma vingança. O espectro diz ter sido envenenado pelo próprio irmão, Claudio, enquanto dormia. Claudio acaba se casando com a Rainha Gertrudes, mãe de Hamlet, roubando de seu pai a um só tempo a vida, a coroa e a mulher. Paralelamente, Hamlet se apaixona pela jovem Ofelia, filha de Polonio, conselheiro de Claudio e Gertrudes, e irmã mais nova de seu amigo Laertes.

Bradesco Prime Arts e UERJ/DECULT/SR-3/Divisão de Teatro apresentam:

HAMLET, de William Shakespeare

Com Wagner Moura e grande elenco.

Datas: 18 (quinta), 19 (sexta) e 20 (sábado) de junho de 2009

Horários: 19h30 (qui e sex), 20h (sab)

Local: Teatro Odylo Costa, filho/UERJ

Rua São Francisco Xavier, 524 - Maracanã

Informações: 2587-7116/7796

Classificação Etária: indicado para maiores de 14 anos

Ingressos: R$30,00(inteira); R$15,00 (meia-entrada: estudantes, terceira idade, Clube do Assinante - O Globo - e com a doação de 1 lata de leite em pó para a entidade Rede de Voluntariado do Hospital Universitário Pedro Ernesto)

Lotação: 1.106 lugares

Bilheteria do Teatro aberta:

de 04/06 a 20/06 - 2ª a 6ª

Horário: 10h/12h; 14h/17h; 18h/20h

Fonte: JusBrasil