domingo, 3 de maio de 2009

Filhos da “Sua Mãe”


Eles se juntaram nos corredores da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, há quase 20 anos. Primeiro, celebravam a amizade com música.

Agora, agitam a cena independente e caíram nas graças da grande mídia. Os meninos da banda “Sua Mãe”, formada pelo ator Wagner Moura (vocal), Gabriel Carvalho (guitarra), Ede Marcus (guitarra), Serjão Brito (baixo), Claudinho David (violão), Tangre Paranhos (teclado) e Lec
o (bateria) participam das vinhetas musicais da MTV, de programas especiais do Multishow e da Rede Globo.

Em março, eles agitaram a cidade de São Paulo no Studio SP, que fica na famosa Rua Augusta. E com a casa lotada, mostraram à plateia uma mistura de rock e música brega. Essa ‘aparição’ da “Sua Mãe”, contou também com apresentações ao vivo na Bahia.

O trabalho da banda é composto de versões modernas de clássicos bregas como “Vou tirar você desse lugar” ou “O Côncavo e o Convexo” e também de canções autorais. No cd demo da banda (The very best of the greatest hits of Sua Mãe), o canto melodramático se mistura com sussurros e tira proveito da versatilidade do vocalista - atualmente nos palcos com a peça Hamlet.

Os primeiros ensaios da atual formação da “Sua Mãe” começaram em meados de 2007, com reuniões semanais dos músicos, todos morando em Salvador, ainda sem a presença do vocalista e líder, que mora no Rio de Janeiro. Quando o entrosamento entre eles já estava avançado, Wagner juntou-se ao grupo para mais ensaios e gravações. E aí ninguém mais segurou a trupe.
Claudinho, o Cha Cha, que toca violão na banda, falou ao Vila Glitter sobre essa nova fase, comentou a participação importante de Wagner no processo todo e contou ainda quais os projetos e planos da “Sua Mãe”. Simpático como todo bom baiano, ele diz que um CD oficial deve logo sair. Ainda bem que os filhos da “Sua Mãe” não pensam mais em se largar.

Me conta um pouquinho da trajetória e da história da “Sua Mãe”?

Em 1992, o Wagner e o Gabriel eram estudantes do segundo colegial, aqui em Salvador, e com mais outros amigos de escola montaram uma banda que fazia cover do “The Cure”. Este é o embrião de “Sua Mãe”. Dois anos mais tarde, ingressaram juntos na Faculdade de Comunicação da UFBA, onde reativaram a banda com outros novos amigos. Foi quando conheceram Leco, que já estava na faculdade. Uns anos depois eu me juntei a eles para uma nova formação. Daí a banda que temos hoje começou a ser formada, com a chegada de Serjão, que já era amigo da turma na faculdade e há uns dois anos começamos a tocar também com Ede e Tangre que foram nossos calouros.

É verdade que vocês se reuniram no ano passado para relembrar os velhos tempos? O que motivou o reencontro?


Não só no ano passado. Estas reuniões são a história de “Sua Mãe”. Com a ida de Wagner para o Rio, em 2001, estes encontros passaram a ser a forma de celebrar a nossa amizade e, pelo menos uma vez por ano, nos reuníamos aqui em Salvador para fazer um som, botar a conversa em dia, tomar umas cervejas, se divertir. O que aconteceu para esta nova fase da banda foi o nosso movimento de gravar um CD demo e
registrar as nossas músicas, sem muito compromisso. O Edgard Picolli ouviu e nos convidou para uma participação no programa dele, do canal Multishow. Daí começaram a pintar outros convites e resolvemos encarar o projeto de montar um show e preparar um CD oficial.


E como estão os shows?

Na medida do possível estamos aceitando os convites para shows e organizando alguns outros, como o São Paulo, no Studio SP. A receptividade tem sido muito boa, tanto do público quando dos amigos músicos e alguns jornalistas da área que têm nos prestigiado. Ainda estamos no início das atividades, mas a banda é bem organizada, toca junto há um bom tempo e a nossa performance no palco tem agradado. Em São Paulo, especialmente, foi incrível.

Existe agora uma agendas de show?

Não temos ainda uma agenda de shows, pois é bem difícil conciliar a agenda profissional de todos nós, principalmente pelo Wagner, que mora no Rio de Janeiro e está em cartaz com Hamlet nos fins de semana, enquanto os outros integrantes moram em Salvador e cumprem suas atividades profissionais. Mas temos planos de lançar um CD oficial e mostrar para mais pessoas o som da “Sua Mãe”.

O vocalista da banda é ator e tem outras atividades. Como vocês conciliam as atividades para manter a banda ativa?

Este é o mistério da “Sua Mãe” (risos).

No repertório, além dos clássicos de Reginaldo Rossi, Roberto Carlos, Odair José... Vocês cantam músicas próprias, certo? Como funciona o processo criativo e quais as influências?

A proposta estética da banda é a de fazer reverência a estes e outros compositores da música brasileira que gostamos muito, especialmente pela maneira como suas canções falam dos sentimentos e do amor, de forma direta e profunda, de peito aberto. Também faz parte da proposta sonora o link que fazemos destes compositores com a melancolia e as belas melodias do rock britânico que vêm desde o próprio “The Cure”, na gênese da banda, como também nos “Smiths”, “U2”, “Joy Division” e, especialmente, o “Radiohead”, que amamos. É ouvindo estes cantores e bandas que nos inspiramos para compor as nossas próprias canções.

Fonte: Vila Glitter