sábado, 18 de abril de 2009

Wagner Moura conta como se envolveu no projeto



Narrador de Mataram Irmã Dorothy fala de teatro, cinema e da próxima novela de Gilberto Braga

Há um narrador em Mataram Irmã Dorothy, o documentário de Daniel Junge que estreia hoje, e é Wagner Moura. O "Capitão Nascimento" conta como chegou ao projeto.

"Havia recebido um prêmio da Associação dos Cronistas Estrangeiros, do Rio, justamente pela interpretação no filme do (José) Padilha (Tropa de Elite). Não pude ir à cerimônia de premiação, mas enviei meu pai, que leu uma carta minha, esperando que os correspondentes estrangeiros divulgassem em seus países o que ocorria no nosso - a Justiça, seguindo o que já era uma tradição, havia absolvido o fazendeiro mandante do crime. A carta repercutiu e o Daniel (Junge, diretor de Irmã Dorothy) me propôs que fizesse a narração."

Wagner Moura lota atualmente o Teatro Oi! Casa Grande, no Rio, que tem o dobro da capacidade do Teatro da Faap, em São Paulo, onde havia apresentado o Hamlet dirigido por Aderbal Freire Filho.

"A peça tem fama de hermética, é muito complexa, e o que fizemos foi devolvê-la ao público, que está correspondendo. Temos tido casas cheias com um texto que é clássico e um papel que desafia qualquer ator." Wagner espera poder excursionar com Hamlet, mas antes quer filmar Vips, de Tonico Melo, no começo do segundo semestre. No início de 2010, volta ao papel do Capitão Nascimento, em Tropa de Elite 2. TV, só em 2011, na nova novela de Gilberto Braga.

Quando Daniel Junge lhe propôs ser o narrador, ele confessa que vacilou um pouco. O ator integra um grupo que luta por direitos humanos. Temia que o diretor, um gringo, nos olhasse como bárbaros. Quando ele viu a cena em que um dos agricultores diz que irmã Dorothy é o Diabo, percebeu que a abordagem não era parcial.

"O filme toma um partido, mas não o faz mistificando", avalia. Wagner se interessa muito pela questão agrária, que, segundo ele, está na base das desigualdades (e tensões) sociais no País. Ele tem, inclusive, um projeto com o diretor Vicente Amorim sobre o assunto. O narrador é, também, um entusiasta de Mataram Irmã Dorothy.

"É um filme que joga para o espectador a responsabilidade de refletir sobre o que viu."

Fonte: Estadão