sexta-feira, 13 de março de 2009

Hamlet com Wagner Moura estreia essa semana!



Escrito por William Shakespeare na virada do século XVII, ‘Hamlet’ se tornou o personagem mais celebrado de toda a história do teatro ocidental. Foi a possibilidade de dar vida aos seus dilemas que motivou Wagner Moura a retornar aos palcos, no ano passado. O ator produz e protagoniza uma nova montagem do clássico, assinada por Aderbal Freire-Filho. Depois de colher elogios em São Paulo – onde foi vista por 40 mil espectadores, em oito meses –, a peça desembarca no Rio de Janeiro no próximo dia 13 de março, para temporada no Oi Casa Grande. O patrocínio exclusivo é do Bradesco PRIME.

Em cena, o elenco busca afastar o tom impostado de representação e preservar o frescor do texto shakespeariano. Para isso, Aderbal resolveu fazer uma nova tradução da peça, assinada em parceria com a professora de inglês Barbara Harrington e o próprio Wagner Moura.

“Nossa tradução não privilegia o literário, mas busca a humanidade do que é dito. Não foi feito nenhum corte, mas conseguimos deixar o texto mais comunicativo”, avalia o ator. “Não buscamos a coloquialidade, mas a clareza de uma poesia não rebuscada. Descobri muita coisa traduzindo. ‘Hamlet’ é a peça de Shakespeare que mais fala sobre teatro: esse acabou sendo o mote de minha direção. Em cena, teremos os atores sempre no palco, como se fossem uma companhia de teatro contando a história”, explica Aderbal, que tem outra peça do bardo inglês no currículo: ‘As you like it’, montada em 1985.

A ideia central da encenação foi baseada no famoso conselho de Hamlet aos atores, no terceiro ato da peça, quando ele usa uma companhia de teatro para encenar a morte de seu pai na frente do verdadeiro assassino, Claudio (Tonico Pereira). Na cena, Hamlet pede para que os atores esqueçam o tom impostado e respeitem o texto, assim como Aderbal pediu ao elenco desta versão: “Quero manter Hamlet vivo, como se dissesse o texto pela primeira vez e não repetindo palavras impressas. Quero que as pessoas entendam o que acontece no palco. O espetáculo é natural, acontece no presente, mas não é naturalista e nem de época”, frisa.

O diretor foi o primeiro nome lembrado por Wagner para o projeto. A encenação também era um antigo desejo de Aderbal, responsável pela última peça do ator, “Dilúvio em tempos de seca” (2004).

“Nos ensaios, percebi que meus outros personagens tinham uma sombra de Hamlet, alguns também não tinham pai e eram sombrios ou melancólicos”, analisa Wagner sobre a construção do atormentado príncipe da Dinamarca.

"O personagem é tão complexo que nos comporta a todos”, analisa o ator, cujo empenho lhe rendeu o último Prêmio Contigo de Teatro na categoria Melhor Ator, e o título de Artista do Ano, da revista Bravo.

Com mais dez atores, o elenco traz nomes como Georgiana Góes (Ofélia), Mateus Solano (Horácio), Fábio Lago (Laerte) e também Gillray Coutinho (Prêmio Eletrobras por ‘O Púcaro Búlgaro’) e Candido Damm, parceiros de longa data de Aderbal. Carla Ribas volta ao teatro para viver a rainha Gertrudes, depois do êxito como protagonista do elogiado longa ‘A Casa de Alice’, selecionado para a penúltima edição do Festival de Berlim.

Recém-premiada com o Shell por ‘As Centenárias’, a dupla Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque assina a cenografia. De acordo com a proposta central de Aderbal, eles deixaram o palco vazio, com poucos elementos e duas laterais onde os atores permanecem o tempo todo, assistindo o desenrolar da trama como plateia, trocando de roupa e de papéis. Algumas projeções – com imagens de cena filmadas em tempo real – ilustram a parte central do cenário em momentos específicos.

Maneco Quinderé é o responsável pela iluminação. A trilha sonora ficou a cargo de um estreante na área: Rodrigo Amarante, que até o ano passado integrava o quarteto Los Hermanos. Apaixonado por teatro, o músico assistiu aos últimos trabalhos de Aderbal e se ofereceu para fazer a música de um próximo espetáculo. Ele apresentará canções inéditas, compostas especialmente para a montagem.

HAMLET

De William Shakespeare

Tradução de Aderbal Freire-Filho com Barbara Harrington e Wagner Moura

Direção de Aderbal Freire-Filho

Com Wagner Moura, Tonico Pereira, Carla Ribas, Georgiana Góes, Mateus Solano, Candido Damm, Fábio Lago, Felipe Koury, Gillray Coutinho e Marcelo Flores

Cenário: Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque

Iluminação: Maneco Quinderé

Figurinos: Marcelo Pies

Trilha Sonora: Rodrigo Amarante

Produção Executiva: Nil Caniné
Direção de Produção: Sérgio Martins
Realização: Sérgio Martins & Wagner Moura

Patrocínio: Bradesco PRIME

Fonte: Oi Casa Grande