quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Wagner Moura e Letícia Sabatella vivem conto medieval em novo filme de Guel Arraes



Após o sucesso do personagem capitão Nascimento em "Tropa de Elite", de José Padilha, Wagner Moura volta ao cinema como protagonista, ao lado de Letícia Sabatella, de "Romance", novo longa-metragem do diretor pernambucano Guel Arraes.

O ponto de partida do roteiro, escrito em dupla com Jorge Furtado ("Saneamento Básico, O Filme" e "Meu Tio Matou um Cara") , é a história medieval de Tristão e Isolda. Wagner Moura vive Pedro, diretor e ator de teatro que conhece a atriz Ana (Letícia Sabatella) e, ao encenarem juntos a peça, se apaixonam e passam a viver, também, um amor fora dos tablados.

Guel Arraes contou, com exclusividade ao UOL Cinema, que queria filmar uma história de amor atual. "A gente (ele e Jorge Furtado) tinha em mente falar de um amor contemporâneo e pensamos em narrar um amor entre atores. Ao imaginarmos a peça que estariam montando, surgiu a idéia de 'Tristão e Isolda', já que foi a história que deu a base para o conceito de amor romântico no ocidente.

Pedro é um homem cético que acredita na teoria de que o amor recíproco é sempre infeliz. Ana, no entanto, pensa de forma oposta, até o dia em que essas diferenças batem na porta do casal. "Essa questão do amor idealizado vem cheia de preconceitos e nós queríamos tirar isso, provocando os casais para além de um romance fantasioso", pontuou Guel.

Andréa Beltrão interpreta Fernanda, uma produtora de caráter duvidoso que impulsiona a carreira de Ana para a televisão. A personagem de Andréa enfoca outro tema do filme: os bastidores do mundo televisivo. "É uma crônica sobre os vícios de produção, é, de certa forma, um massacre à visão glamourizada da coisa", afirmou a atriz durante entrevista coletiva. No decorrer da trama, Fernanda se envolve com Orlando/José de Arimatéia (Vladimir Brichta), um ator picareta e sedutor.

Guel Arraes se utiliza da metalinguagem para falar da vida dos atores. Cerca de 50% do filme foi gravado dentro do teatro Dulcina, no Rio de Janeiro. "Foi o primeiro teatro em que trabalhei, ele estava vazio e aproveitamos para fazer os ensaios. Essa vivência diária ali nos deu uma cara de trupe. A Letícia e o Wagner ganharam uma intimidade de atores de teatro".

Apesar da história se passar, basicamente, entre Rio e São Paulo, o diretor não fugiu do sertão, assim como em "O Auto da Compadecida" e "Lisbela e o Prisioneiro". Com filmagens na Paraíba, Guel Arraes transportou o conto medieval para uma linguagem sertaneja, explicitamente inspirada no escritor mineiro João Guimarães Rosa. O humor caricato costumeiro de seus filmes deu espaço às reflexões sobre relacionamentos, apresentando um tom diferente, porém, sem abandonar totalmente sua marca poética.

Fonte: Uol Cinema
Texto editado por Andressa Santos