sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Entrevista

Nada da grosseria e valentia do famoso Capitão Nascimento, agora é a vez do doce, romântico e sensível Pedro. O baiano Wagner Moura interpreta o personagem Pedro no filme ‘Romance’, de Guell Arraes, e esteve em Salvador para acompanhar a pré-estréia do longa.

Aproveitando a visita de Wagner à capital baiana, o iBahia.com não perdeu a oportunidade de bater um papo com um dos melhores atores brasileiros.

Em entrevista ao portal, o ator falou sobre o seu personagem em 'Romance', contou sobre os futuros projetos e comentou sobre o polêmico posicionamento do ator Pedro Cardoso em relação a banalização do nu. Confira na íntegra a entrevista.

iBahia.com - Seus personagens, sempre deixam uma marca nos telespectadores. Esse traz algo de diferente?

Eu nunca tinha feito um personagem assim antes. É um ator, que já é uma coisa diferente, né? Um ator, representando um outro ator. E é um personagem muito sensível, é um artista, eu nunca tinha feito um personagem assim. É bem interessante um artista fazendo outro artista. É um personagem ótimo e cheio de meta teatro, meta ator, meta projeto.

iBahia.com - Existe alguma identificação entre você e o personagem?

Todo personagem que eu faço sou eu mesmo de certa forma. E tento fazer o personagem parecido comigo, tento colocar minha história, minha cara e o meu jeito neles. De certa forma sempre tem uma parte da gente, uma parte daquele personagem que a gente se identifica e com Pedro não é diferente.

iBahia.com - O filme contém cenas ‘picantes’ entre Pedro e Ana. Como foi filmá-las?

Não diria que são cenas picantes, são cenas belas, cenas de sexo, cenas deles namorando, nada vulgar, é muito bem filmado, é plástica, bem natural. É pura arte.

iBahia.com - O ator Pedro Cardoso manifestou-se diante da banalização do nu. Como você se posiciona diante de tudo isso?

(Risos). Vamos lá. Eu primeiro sou muito amigo de Pedro, e acho que ele é um gênio. É o ator que eu mais admiro, um dia vou fazer um filme 'Quero ser Pedro Cardoso' (risos). E eu acho que muito do que ele disse tem muito fundamento, acho importante umas coisas que ele colocou. Mas o Pedro, no texto dele, abriu umas arestas, de exagero, ou de coisas que ele disse que nem ele mesmo deve ter noção da dimensão do quanto foi mal compreendido. O manifesto foi interpretado em uma posição desfavorável, eu acho, em relação a própria classe. Inclusive não concordo com tudo o que ele disse, mas continuo dizendo que muito do que ele falou é certo. A base do que ele disse tem um grande fundamento, mas há umas arestas que eu não concordo.

iBahia.com - Se você tivesse que escolher entre tantos personagens de sucesso da sua carreira, qual seria o seu predileto?

Sem dúvidas, Hamlet.

iBahia.com - Você já atuou em teatro, TV e cinema. Com qual você mais se identifica?

O teatro é minha vida.

iBahia.com - Quais os próximos projetos de Wagner Moura?

Eu tenho um caminho muito longo com minha peça pela frente. Quero trazê-la para Salvador, não consegui nunca vir para cá com o teatro. O TCA está super de braços abertos a receber o espetáculo, mas a gente terminou fechando a temporada no Rio, depois vai ter mais uma em São Paulo, depois Rio de novo, depois eu tenho um filme pra fazer. Os planos são os trabalhos, vem muito trabalho aí pela frente.

iBahia.com - Alguma novela em vista?

Tão cedo não, meu foco agora é o teatro.

Fonte: iBahia.com