sexta-feira, 20 de junho de 2008

Wagner Moura encarna Hamlet 'debochado'



Ator que já foi capitão Nascimento vive outro personagem atormentado:

"Nós vamos morrer e nossos tataranetos continuarão assistindo Hamlet", diz Moura.

Wagner Moura vai subir aos palcos para viver um dos maiores personagens do teatro. O que há de comum entre o capitão Nascimento, a figura central do filme “Tropa de Elite”, e Hamlet, um dos maiores personagens de Shakespeare?

O que eles têm em comum é a dúvida sobre si mesmos, a angústia e um ator brasileiro, Wagner Moura, que da podridão do morro vai agora à podridão do reino da Dinamarca.

Wagner Moura saiu da favela e entrou no palácio para viver outro personagem atormentado: Hamlet, o príncipe da Dinamarca, que recebe do fantasma do pai a missão de vingar seu assassinato.

“Hamlet passa longe de ser esse príncipe monolítico, triste. Ele é também isso, mas é muito mais. Porque é uma peça e um personagem maiores do que a maioria de nós”, diz o ator.

Escrita por William Shakespeare por volta de 1600, Hamlet é uma das grandes tragédias do teatro ocidental. Ganhou versões famosas. Em 1948, Sir Laurence Olivier levou-a às telas e fez, do alto de um penhasco, a célebre pergunta que expressa toda a angústia do personagem: “To be or not to be. That is the question.”. Ser ou não ser. Esta é a questão.

Hamlet é o maior personagem da história do teatro. Talvez só ele tenha a força para deixar em segundo plano o capitão Nascimento.

Depois de viver o protagonista de "Tropa de Elite", Wagner Moura encarou o texto de Shakespeare com reverência.

“O Shakespeare é incrível, ele conseguiu ser um cânone literário e o maior homem de teatro do mundo. Termina sendo uma espécie de fetiche dos atores”, comenta Wagner Moura.

Não importa a época e nem o país, encenar a peça mais conhecida de Shakespeare é quase sempre o grande sonho e ao mesmo tempo uma prova de fogo para qualquer ator. O desafio é ainda maior se além de atuar, o elenco também tiver que manusear uma câmera de vídeo, como nesta peça.

Os atores em cena registram os próprios movimentos, exibidos em um telão. Lá e no palco, um Hamlet diferente, um dinamarquês meio à baiana.

“O Hamlet é debochado, o personagem é um personagem debochado. E o brasileiro também. E eu como um brasileiro debochado, terminei fazendo um Hamlet também debochado”, brinca.

De uma coisa Wagner Moura tem certeza: Hamlet e Shakespeare sempre foram maiores do que todos os seus encenadores.

“Talvez por isso essa peça esteja viva até hoje, e provavelmente estará viva daqui a 500 anos. Vai enterrar nós todos. Nós vamos morrer e os nossos tataranetos continuarão assistindo 'Hamlet'”, conclui.

Fonte:G1