domingo, 23 de dezembro de 2007

"Um lago fedido"



O ator Wagner Moura, que apoiou a greve de fome do bispo dom Luiz Flávio Cappio, falou à coluna sobre a transposição do rio São Franscisco.

FOLHA- Por que assinou o manifesto em favor do dom Cappio?
Minha familia é de Rodelas, sertão da Bahia, uma das cidades imundadas pela barragem de Itaparica na década de 80. Posso dizer que os danos ecológicos dali foram gritantes. Era um cidade que tinha um rio caudaloso e hoje tem um lago fedido. Os peixes não existem mais. Dom Cappio é sério, preocupado com os ribeirinhos do nordeste. Está colocando sua vida em risco. Acho que, por aí, já vale a pena a gente ouvir o que ele tem a dizer.
FOLHA - Quais danos ambientais você teme?
Cara, você tira um pedaço significativo de água e transporta para outro lugar, me parece evidente que haverá algum transtorno. As grandes obras não beneficiam quem necessita. Essa obra vai favorecer os grandes exportadores ou a agroindústria.
FOLHA - O que você acha da postura do governo Lula diante do bispo?
Acho intransigente. O governo não esta dialogando com os movimentos sociais que estão apoiando o dom Cappio e que ajudaram a elegê-lo [Lula].
FOLHA - Você votou no Lula para presidente?
Votei, sempre votei no PT. Pô, a gente não espera que o governo esteja sempre de acordo com a gente. Mas podia estar um pouco mais.
FOLHA - A Letícia Sabatella diz que tentaram cortar o microfone dela quando lia a carta do bispo num evento do governo da Bahia.
Eu soube que ela conversou com o [governador da Bahia] Jaques Wagner. E que ele foi bastante ríspido. Disse qualquer coisa como "vou botar uma ambulância para o bispo". Apoiei a candidatura dele, mas fico decepcionado por ter sido tão insensível, sabe, cara?
FOLHA - Mudando de assunto sua participacão em um comercial de cerveja, logo após de interpretar o capitão Nascimento em "tropa de elite". Gerol alguma polêmica por causa da cena em que a Juliana Paes te manda "matar" a bebida e você pergunta:"matar quem"?.
O capitão nascimento virou uma coisa meio pop. As pessoas tem que levar isso menos a sério. Não soube da polêmica. Nem pensei que fosse achar ofensivo. Achei que era uma brincadeira com o personagem.
FOLHA - O que você acha de o ministro da saúde tentar proibir os comercias de cerveja?
Não sei, sabia, cara? Eu fiz o comercial, eu gosto de cerveja, eu bebo. Acredito que haja pessoas com bebida e que não deve ser vendidas em estradas, por exemplo. Mas não tenho opinião formada. Não sou muito a favor de proibições, sou à favor de legalizações.
FOLHA - Em que casos de proibição, o cachê fará falta?
Você ganha um dinheiro bom. Pra mim que não sou contratado de tv, é ótimo fazer comercial. Mas muito mais importante que falar de cerveja é falar de dom Cappio.
Fonte: Ilustrada