quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Wagner Moura na novela e no cinema, sempre ótimo



Ator vive o auge de sua carreira em papéis de sucesso como Olavo e Capitão Nascimento

Ator desde os 15 anos, Wagner Moura, aos 31, vive um momento glorioso de sua carreira. (...)Ele faz o Capitão Nascimento de Tropa de Elite, que foi aplaudido em cena aberta quando mata e tortura traficantes nos morros do Rio. Pirateado, calcula-se que “Tropa de Elite” já tenha sido visto por 3 milhões de pessoas. Muita gente garante que isso não vai impedir o filme de se transformar no sucesso do ano, quem sabe no sucesso do cinema brasileiro da Retomada, a fase que começou há 12 anos. O Capitão Nascimento é um herói? “Tropa de Elite” é fascista?
O sucesso não mudou o perfil de Wagner. Baiano, de Salvador, continua boa-praça – e ralando.

“Ralo desde os 15, bróder. Comecei no teatro com essa idade. Há seis vim para o Rio com ‘A Máquina’. Viemos – Lázaro Ramos, Vladimir Brichta. Continuo ralando, mas a diferença é que agora ganho um pouco mais.”

Tropa de Elite é fascista?
É absurdo esse debate criado em torno do filme. Padilha (o diretor José Padilha) é um humanista que fez ‘Ônibus 174’, pô. Como um cara desses pode ter feito um filme fascista?
Digamos então que o filme estimula o fascismo das pessoas. Na sessão de abertura do Festival do Rio, o público queria sangue e gritava ‘mata!’, sempre que o Capitão Nascimento estava torturando traficantes.
Outra coisa que se discute é se o Capitão Nascimento é um herói. Nem o filme é fascista nem ele é um herói. Acho que o que há é um olhar torto do público. As pessoas sentem-se tão inseguras, tão desprotegidas que embarcam em qualquer promessa, mesmo que mínima, de segurança. “Tropa de Elite” está provocando esse bochincho porque é o filme certo na hora certa. O que o Padilha discute é a falência do sistema de segurança no país. E não só. Ele discute o papel da classe média diante do tráfico.
O filme discute a corrupção da polícia comum. Ao mesmo tempo, documenta a violência do Bope (Batalhão de Operações Especiais). Como foi vestir a farda e subir o morro?
Havia um acordo com o movimento (o tráfico) para que a gente pudesse filmar. Num determinado momento, ele foi rompido e as armas da produção foram roubadas, mas nunca senti que corria risco de morrer, por exemplo. Havia tensão, alguns oficiais do Bope tentaram impedir a exibição do filme, mas, a maioria da polícia e do Bope é a favor. Os integrantes do Bope amam o batalhão e acham que o filme divulga o trabalho deles. A polícia comum acha que o filme explica por que eles são corruptos.
Nascimento é um homem em crise. Quer salvar a família e o batalhão, arranjando um substituto para ele mesmo no Bope.
Tem gente que acha o filme fascista e o Nascimento, um herói porque o humanizo. É meu papel como ator. Entender e humanizar esse cara que, apesar de toda sua violência é humano. Saí do set de “Saneamento Básico – O Filme” e caí no meio da preparação de “Tropa de Elite”. Foi a coisa mais doida, aquilo mesmo que está no filme, em relação aos novos aspirantes. Meu filho tinha nascido, era a mesma situação do Nascimento no filme. A diferença é que quando chegava em casa, após um dia extenuante de filmagem, olhava meu filho no berço e isso me dava muita paz.
Sua carreira teve um desenvolvimento extraordinário nos últimos tempos. É um sucesso atrás do outro: “Cidade Baixa”, “JK”, Paraíso Tropical, “Tropa de Elite”. Qual é a fórmula?
Trabalho e sorte. Todo aquele pessoal da “Máquina”, o Lázaro, o Vladimir e eu estamos colhendo um pouco o trabalho do nosso esforço. Mas foi duro, meu irmão. Não pensa que foi mole, não.
Você diz que Olavo só deslanchou na novela por causa do humor. Você imaginava que o personagem teria essa repercussão toda?
Digamos que ele superou minha expectativa, mas Gilberto Braga criou alguns dos maiores vilões e vilãs da história da TV brasileira. Fazer um vilão numa novela dele é muito mais interessante, e estimulante, para qualquer ator, que o mocinho. O vilão provoca. O mocinho, como poço de virtudes, é um chato.
Suas cenas com Bebel possuem alto apelo erótico. Outro dia você a chamou de cachorra, esculachou, mas as mulheres não acharam vulgar. Tem gente dizendo que você virou mito sexual...
Cara, eu? Não sei nem como responder a isso. Acho legal as pessoas curtirem os diálogos, as cenas, mas mito sexual? Sou casado, um homem de família, não sou boyzinho para posar de gostoso.
(...)

Fonte: Jornal de Piracicaba Online
Matéria editada por Carol Monteiro