quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Wagner Moura: um cara simples e o homem do ano



No cinema, só se fala de 'Tropa de Elite'. Na TV, o assunto é 'Paraíso Tropical'. Em ambos, o ator baiano, que conquista cada vez mais fãs, é destaque
 
 

Depois do destaque no cinema e na TV, Wagner montará Hamlet no teatro.

Para os mais íntimos, Wagner Moura é apenas Waguinho. Um baiano que ainda preserva as suas raízes: adora dormir na rede, comer caruru na casa dos amigos no Rio de Janeiro, jogar bola descalço no sítio da família em Itaparica, na Bahia, e ainda tem a malemolência que se atribui aos nordestinos.
Para os que o conhecem depois da fama, o ator está no auge do sucesso: se destacou como vilão Olavo, em "Paraíso Tropical," e no filme "Tropa de Elite", como o capitão Nascimento. Os dois trabalhos dominaram as conversas - e em ambos o trabalho de Wagner Moura é sempre citado, e elogiado.

Porém, ele segue as palavras do pai, seu José, e continua valorizando as coisas simples da vida: estar perto dos amigos e da família é uma das prioridades do ator. Quando não tem tempo de estar com as pessoas que gosta, Wagner telefona para elas e, às vezes, até chora.
É, porque além de bom ator e escritor (Wagner Moura escreveu um artigo para o jornal "O Globo", publicado na edição de terça-feira, 25, em que, entre outros pontos, defendia a legalização das drogas como uma das formas de pôr fim ao tráfico), Waguinho também é romântico. Não é à toa que, mesmo fugindo do estereótipo de beleza, o baiano virou galã.

"Acho ótimo meu amigo estar tirando onda de gostoso (risos). É um paraíba chique, posa para os ensaios de moda...", brinca Lúcio Mauro Filho


Réveillon como manda o figurino

Um dos refúgios de Wagner Moura é o sítio de Sandra, em Itaparica, na Bahia. É lá que o ator joga ‘pelada’ descalço com os amigos – ele torce pelo Esporte Clube Vitória da Bahia. Há três anos, o casal convidou Lúcio e Cíntia para um réveillon. “O Bento, nosso filho, deu os primeiros passinhos lá”, lembra a empresária.

Durante a viagem, Wagner Moura mostrou seus dotes para fazer caipirinha, brigadeiro de chocolate e soltar fogos de artifício para a virada de ano. Parecia um menino.

Na época da adolescência, durante o curso de teatro na Casa Via Magia, na Bahia, Wagner Moura resolveu se chamar de 'Ovni'. “O Wagner era tímido e se achava um ser estranho ali. Acho que esse foi o motivo do apelido. Mas tem um fato curioso: ele já tinha ficado famoso e me encontrou no Teatro Castro Alves. Wagner chegou perto de mim e perguntou: 'lembra de mim, professor? Eu sou o Ovni'”, diverte-se Rui César, professor do curso onde o ator estudou.

Veia cômica

Após romper com essa timidez, o ‘Ovni’ se soltou e começou a conquistar seu espaço no teatro. Formou um grupo de amigos que adora reunir no seu apartamento, no Rio. São nesses encontros que Wagner Moura imita Ney Latorraca e Silvio Santos, toca violão, serve cafezinho às 17h e exibe para os convidados o vídeo de John Lennon e Yoko Ono.

O gosto pela música fez o ator ter a banda "Sua Mãe" na juventude e curtir música boa até hoje. De Otto a Lenine, passando por Zéu Brito. “O Wagner gosta de música com humor e eu faço esse trabalho. É ótimo conviver com ele, que é uma pessoa inteligente. Ele sabe tudo, inclusive inglês. É tão esforçado que voltou a estudar a língua para a versão de 'Tropa de Elite' que vai passar lá fora”, elogia Zéu.
Como os parentes continuam morando na Bahia, Wagner adotou amigos para serem a sua família no Rio: Vladimir Brichta, Lázaro Ramos, Zéu Brito e Lúcio Mauro Filho. E assim como uma ‘Grande Família’, o ator adora os almoços de domingo. Muitas vezes é no Baixo Gávea, no Rio, onde o grupo se reúne - às vezes, Wagner vai com com o seu Fusca modelo 68.

Outro point que ele adora é o restaurante Copa Café, no Rio, ou a casa de qualquer amigo baiano. Principalmente, se tiver na mesa um caruru. Em quase todas as reuniões, Wagner e Sandra levam o filho Ben, de um ano. O ator faz questão de passar os momentos de folga ao lado do menino, mantendo uma rotina de pessoa simples - bem longe do rebuliço que personagens de sucesso costumam provocar na vida de atores de talento.

Fonte: Ego