quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Pirataria não é marketing"


Em entrevista exclusiva para o site do Festival do Rio, o ator Wagner Moura falou sobre o que gostou de assistir no Festival, o filme Tropa de Elite e sobre pirataria.

“Acho que a pirataria nunca é boa, nenhum cineasta quer ver o seu filme associado a ela”, disse.

Mais em evidência do que nunca, o ator Wagner Moura acabou de gravar Paraíso Tropical e estréia na semana que vem nos cinemas como o protagonista de Tropa de Elite. Ele não acredita na pirataria como forma de marketing para o longa-metragem:

“Acho que a pirataria nunca é boa, nenhum cineasta quer ver o seu filme associada a ela. Para mim não serve nem através do viés da democratização de informação. A pirataria foi nociva para o Tropa”.

Wagner Moura contou, ainda, que é fã do Festival do Rio, mas que raramente consegue ver os filmes. “Quando o Festival acontece, costumo estar envolvido em vários projetos”, explicou. O ator ainda elogiou o filme Nome próprio e a atuação de Leandra Leal:

“O trabalho dela está formidável. Também vi Ópera do Mallandro ontem (segunda 1º) e gostei bastante. Aliás, o que o André Moraes fizer eu vou aplaudir”, conta Moura.

Wagner Moura e a equipe principal de Tropa de Elite estiveram em uma coletiva de imprensa na tenda de Copacabana para anunciar uma nova antecipação da estréia. Prevista inicialmente para novembro e depois remarcada para 12 de outubro, agora ela será na próxima sexta 5, no Rio e em São Paulo. A iniciativa foi tomada depois do anúncio da estimativa de que a cópia pirata do filme já tinha vendido mais de um milhão de cópias.

Na entrevista, estiveram presentes o diretor do longa, José Padilha, o produtor Marcos Prado e os atores André Ramiro, Fernanda Machado e Caio Junqueira. Durante a coletiva, Padilha falou sobre as dificuldades de combater à pirataria. "Só se combate com educação. Pirataria é sonegação fiscal, crime trabalhista e uma competição desleal", afirmou.

O ator Wagner Moura, que interpreta o capitão Nascimento no filme, disse que os estúdios precisam se adaptar para não sair no prejuízo: "Combater é necessário, mas é preciso encontrar formas de lucrar com isso. Baixar o preço do download de filmes na Internet, por exemplo. Acho que o acesso às tecnologias não pode retroceder", sugeriu. A posição foi reforçada por André Ramiro, que afirmou que a solução não é reprimir, mas adaptar. Ele comparou a atitude de quem compra produtos piratas a dos usuários de drogas que, na visão dos policiais do filme, aparecem como financiadores do tráfico: "São questões parecidas. A sociedade reclama, mas é conivente", afirmou. Carla Knoplech e Luiza Bandeira

Fonte: Site do Festival do Rio