segunda-feira, 25 de junho de 2007

Revista TPM - Maio 2007

Nas coxias dos teatros de Salvador, ele conheceu lázaro Ramos e Vladimir Brichta. Com eles, estreou a peça A Máquina, no Rio de Janeiro, em 2000. Do palco carioca para a tela da Globo, foi um minuto. Hoje, na novela das oito, faz o vilão Olavo, criado pelo mesmo Gilberto Braga que eternizou Odete Roitman.
Neste ensaio clicado por sua mulher, você vê o bom e velho baiano de Salvador.

O Wagner Moura é um cara legal porque:

1 - tinha uma banda cover do The Cure na adolescência.

2 - se recusa tanto a sair na Caras, que acha que entrou no caderninho negro da revista.

3 - não pára de ouvir o disco novo do Kassin e chorou vendo o filme O Céu de Suely.

4 - apesar do glamour da Globo, quer mesmo é fazer teatro e ama a cena alternativa de São Paulo.

5 - tem vergonha quando está com os amigos e chega alguém pedindo autógrafo porque não entende muito bem o motivo de fazerem isso.

6 - por ser o freak da escola, tinha o apelido de Óvni.

7 - anda na rua com tranqüilidade e ainda carrega a sacola da repórter!

8 - chama a interlocutora de "nega!".

9 - tem senso de humor e, depois de apontar na rua onde mora, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, a casa de celebridades como o amigo Matheus Nachtergaele e o músico Moreno Veloso, diz que poderia criar ali um serviço de city tour tipo o de Beverly Hills!

10 - ele não é casado com nenhuma atriz loira, mas com uma fotógrafa gente boa.

Agora que você se convenceu de que o Wagner Moura é um cara realmente bacana e não só um rostinho bonito da TV, a gente pode falar mais dele. E até sobre o vilão Olavo, de Paraíso Tropical. E tam­bém contar como é o mo­mento em que o ator de Salvador, criado no teatro junto com amigos como Lázaro Ramos, vi­rou protagonista de uma novela das oito da TV Globo. O melhor de falar sobre o ¿auge¿ de carreira com Wagner é que ele parece não ligar muito (na verdade, nem se sente ¿no auge¿).

"O texto do Gilberto Braga é inacreditável de bom. Quando pensei que ia fazer um vilão escrito pelo cara que criou Odete Roitman, fiquei chocado."

- Mas sua vida não mudou agora que você faz um galã na Globo?
- Não...
- Você não é muito assediado na rua?
- Não.

Wagner fala isso com tranqüilidade e eu garanto depois de conversar com ele na casa onde mora com a mulher, a fotógrafa Sandra Delgado, autora das fotos deste ensaio, e o filho, Ben, de 9 meses que ele diz a verdade. Andamos juntos pelas ruas do Jardim Botânico até um táxi. Ninguém olha para ele de um jeito estranho. Ninguém se cutuca. O ator anda na rua como se fosse um amigo qualquer.

"Acho que a postura que eu tenho, de não me expor, não aparecer com a minha família nos lugares, faz com que as pessoas percebam que a minha praia não é essa", conta o baiano de 30 anos.

O sucesso, que chegou para ele e os amigos de maneira acachapante depois que a A Máquina, dirigida por João Falcão, estreou no Rio de Janeiro em 2000, não fez com que ele se deslumbrasse, tampouco panicasse. Foi depois dessa peça que ele e seus amigos Vladimir Brichta e Lázaro Ramos viraram estrelas.

- Tem uma música do Morrissey que chama We Hate When our Friends Become Successful (Nós odiamos quando nossos amigos começam a fazer sucesso). Você não se identifica com isso?

- [Risos] Não, quando eu vi que o Lázaro tinha virado uma celebridade achei muito bacana. Ele, além de tudo, tem um papel social importante hoje.

E foi com Lázaro, amigo de todas as horas, que Wagner passou por uma das poucas situações bizarras de um vilão protagonista de novela.

"A gente tava na rua e uma senhora parou e começou a falar para o Lázaro: 'Diz pro seu amigo que ele não presta, que é um absurdo ele fazer as coisas que faz'. Ela estava com tanta raiva de mim que se recusou a olhar na minha cara!", lembra o vilão, que, definitivamente, não se enxerga como uma pessoa famosa. E também não se acha bonito.

- Sabia que quando eu disse que ia te entrevistar algumas amigas disseram: Manda um beijo pro Waguinho?

- [Silêncio longo]. Acho isso muito estranho. Quando me convidaram para fazer par romântico com a Adriana Esteves [em A Lua Me Disse, 2005], pensei: Como pode?. Achei muito louco. Mas pensei que tinha mais a ver com o trabalho que eu tinha feito do que com essa coisa estética. Fico constrangidíssimo quando estou com meus amigos em Salvador e chega uma menina pedindo autógrafo.

E continua o papo com a reportagem da Tpm dizendo que não quer fazer outra novela tão cedo. Está louco para voltar ao palco do teatro. Quer escrever, dirigir, produzir. Pra ele.

"Sempre trabalhei muito para os outros. Nunca fiz um projeto meu e acho que chegou a hora."

Teatro é mais que uma paixão para ele. Nos palcos e coxias de Salvador ele cresceu e encontrou amigos que pensavam como ele.

"Tive uma adolescência péssima. Vivia sozinho. Não tinha amigos. Só ouvia músicas tristes e lia coisas depressivas. O teatro me resgatou. Foi lá que encontrei amigos", solta.

A turma do teatro, vocês já sabem, é formada por João Falcão, Lázaro Ramos, Vladimir Brichta. Foi com eles que Wagner, em 2000, veio para o Rio de Janeiro. E é com os mesmos amigos que são passados noites e dias importantes, como longos almoços de domingo e noites de Natal. O que não quer dizer que não sonhe com outras viagens. Adora São Paulo e conta que, antes de seu filho, Ben, nascer, ele e Sandra chegaram a ter vontade de vi­ver na cidade. Mas diz que foi só um lapso e que, na verdade, eles têm vontade mesmo é de voltar para Salvador.

"Às vezes a gente olha e pensa: Será que temos mesmo de ficar no Rio?"

E esse, certamente, é mais um motivo para achar que Wagner Moura é um cara legal, que não se acomoda. E, mais que isso, ao contrário das celebridades que exalam perfeição na capa das revistas e fazem com que qualquer pessoa normal se sinta um "creep", o baiano, assim como a gente, surta. E o melhor é que ele assume isso.

Galeria









Entrevista concedida a Revista TPM com fotos de Sandra Delgado