sábado, 19 de novembro de 2005

Antes e depois do gravando


(...)O momento é o seguinte: os atores já estão vestidos, maquiados e com os cabelos arrumados; as câmeras estão posicionadas, sendo que uma delas está armada sobre um trilho; a luz está pronta; os figurantes estão em seus lugares; todos estão a postos, esperando o início do ensaio. Wagner e Juliana, que interpretam Juscelino Kubitschek e sua irmã Naná, respectivamente, estão com o texto na ponta da língua.

Dennis é quem dá as diretrizes do ensaio. Ele mostra aos atores qual o trecho da rua que eles terão que percorrer enquanto dizem suas falas. Ao longo do percurso, o diretor explica como a cena deve ser: "Wagner, quando você fizer o JK recitando a poesia, cuidado para não exagerar, porque ele não era poeta de verdade. É apenas um jovem contando à irmã como era a poesia que ele deu para uma pretendente. E você, Juliana, tenha em mente que a Naná era uma irmã muito querida, muito próxima do JK, mas você deve demonstrar intimidade sem ficar parecendo que eles são um casal de namorados. Tem que estar claro que eles são irmãos." Os atores ouvem, assimilam, dão suas sugestões e, finalmente, chega a hora de interpretar.

O ensaio vale para todos, não é só para os atores. Enquanto Wagner e Juliana contracenam, os câmeras experimentam enquadramentos e movimentos. O pessoal da iluminação observa se a luz está posicionada da maneira ideal. A continuísta fotografa os atores, para deixar registrado cada detalhe de seu visual, desde a posição das mechas dos cabelos até os brincos que Juliana está usando. A equipe de caracterização confere se a maquiagem dos atores está perfeita no vídeo. A figurinista verifica se o as roupas foram vestidas da maneira correta. E por aí vai. Quando for pra valer, tudo tem que estar perfeito.

Sob o sol forte, todos ensaiam a cena cinco vezes, até que tudo esteja em ordem. E mesmo depois que Dennis grita o primeiro "Gravando!", a cena precisa ser refeita outras tantas vezes. Mas isso é normal. É quase sempre assim. E isso é até bom, porque, a cada nova tentativa, todos melhoram. Wagner e Juliana fazem a cena cada vez melhor. Eles mal se conhecem, mas, diante das câmeras, conseguem simular perfeitamente a intimidade de dois irmãos. Quanto mais eles repetem suas falas, mais entrosados ficam. Wagner repete a poesia tantas vezes quanto é necessário: "Quando Ismália enlouqueceu / Pôs-se na torre a sonhar / Viu uma lua no céu / Viu outra lua no mar". Os versos são de Alphonsus de Guimarães, poeta simbolista contemporâneo de JK, e soam cada vez melhores na voz do ator. E então, no final, o diálogo está o melhor possível, absolutamente convincente.

Quando Dennis declara que a gravação da cena chegou ao fim, os atores correm até o vídeo, para ver como ficou. Eles gostam, mas como são perfeccionistas, ficam achando que poderiam ter feito isso ou aquilo de outro jeito. "Acho que a Naná ficou muito infantil, muito menininha. Gostei mais da minha atuação na tentativa anterior, a penúltima", avalia Juliana. Mas ela não tem com o que se preocupar. Se Dennis disse que está ótimo, é porque está mesmo. Ninguém zela mais pela qualidade do trabalho do que o diretor, o maestro que rege toda essa orquestra de profissionais com as mais variadas especialidades.

A direção de "JK" fica a cargo não apenas de Dennis Carvalho, mas também de Amora Mautner e Vinicius Coimbra.

Fonte: Site da minissérie JK