domingo, 19 de junho de 2005

Todo bom

Todo bom

Wagner Moura é um ator capaz de capturar olhares e acelerar pulsos por onde passa. Básico, este baiano, filho de Ogum, orixá da guerra, encarna o estilo urbano para o ELA numa viagem ao submundo, cenário também de seu mais recente filme. Sua atuação em Cidade Baixa, de Sergio Machado, foi aplaudida no último Festival de Cannes, na Mostra Un Certain Regard. Os franceses descobriram o que o baiano tem...

Baiano à flor da pele

Ele vem chegando de branco (e calça xadrez), meigo, lindo e muito tímido. Assim, Wagner Moura, o galã da hora e da novela "A Lua me disse", da Rede Globo, chega jorgebeniamente para a entrevista para o ELA. Com 1,80m, 77 quilos, ele pede sanduíche de frango e suco de manga no Amarelinho da Glória. Preocupação com peso? Não. São os compromissos que espremem a agenda.

"Estou chegando perto dos 30 (ele comemora 29 anos no próximo dia 27), estou vivendo meu inferno astral. E me questionando muito, inclusive na profissão, dizem que é o retorno de Saturno."

Wagner está acostumado às mudanças. Largou a profissão de jornalista pelo teatro.

"Meu pai era militar, então morei em vários lugares, Rodelas, Salvador, na Bahia; em Marechal Hermes, no Rio..."

Depois de fincar raízes no teatro o sucesso da peça A máquina fez com que Wagner saísse de sua Salvador natal para morar no Rio ele alçou vôos no cinema em cinco anos fez dez filmes e ganhou vários prêmios e mais recentemente na TV.

"Estou no Rio há nove anos e fui muito bem recebido. O sucesso da peça ajudou. Sou de Ogum, que abre o caminho, estou pegado nele, diz Wagner.

- A religião e o teatro têm um ritual. Os dois são poderosos para o autoconhecimento. Minha opção pelo teatro tem a ver com a busca pela verdade, com o fascínio pelo desconhecido."
_ interpreta.

Emoção no encontro com Renato Aragão

No longa Cidade Baixa que estréia no segundo semestre do baiano Sergio Machado, Wagner vive um triângulo amoroso com Alice Braga e Lázaro Ramos, ela prostituta, eles amigos de infância. Aliás, Lázaro e Wagner são quase uma entidade. Inseparáveis.

"Assisti a Lázaro em Salvador numa montagem quando eu tinha 16 anos, ele era praticamente um menino e me apaixonei. Ele tinha uma energia incrível.", confessa ele que telefona para o amigo sempre que está em crise. Precisando de análise?

"Já fiz durante dois anos em Salvador e um ano aqui no Rio. Mas larguei..."

Casado com a fotógrafa baiana Sandra Delgado, torcedor do Vitória da Bahia, Wagner ainda conserva hábitos de reles mortais. Costuma ir a pé à padaria e ao cinema. Na cabeceira, livros sobre Juscelino Kubitschek.

"Vou viver o JK jovem, numa minissérie para a TV que estréia ainda este ano com direção de Denis Carvalho."

Planos para o futuro? Dirigir uma peça, que depois vai transformar em filme.

"Estou lendo alguns textos que pesquisei na Argentina em 2004. Quero dirigir um elenco de atores baianos."_conta.

Enquanto conversa, ele recebe o carinho dos fãs que passam na calçada. Em troca, esbanja atenção e sorrisos.

Uma lembrança antiga das telas?

"A dos filmes dos Trapalhões. Fiquei emocionado quando conheci Renato Aragão, na festa dos 40 anos da Globo", confessa Wagner, um baiano à flor da pele.

Fonte: Jornal O Globo - Caderno Ela