terça-feira, 28 de junho de 2005

Entrevista Canal Extra


O que é que ele tem?

Sem nunca ter feito novela, Wagner Moura conquistou o papel de protagonista em A Lua me disse. Elas estão encantadas de fãs entre as mulheres. Elas estão encantadas com ar carente do ator, que descobriu a arte dramática por se sentir rejeitado e solitário.

Um galã às avessas

De acordo com o dicionário Aurélio, galã significa "personagem ou ator que representa o herói de boa aparência e atitudes, inteligente e corajoso, e que exerce o papel decisivo nas intrigas do amor". Na pele de Gustavo de A Lua me disse, Wagner Moura acelera na contramão do que prega o dicionário. Seu personagem não é bonitão, não tem coragem de enfrentar a mãe, Ester (Zezé Polessa), e vive um amor conturbado com Heloísa (Adriana Esteves). Mas o charme, e , principalmente o jeitinho de carente de Gustavo andam encantando milhares de telespectadoras.

"Torço pelo Gustavo e pela Heloísa. Eles se amam de verdade. Com a Beatriz não é amor."

Longe do perfil apolíneo, Wagner conquista pela graça, simpatia e, claro, pelo talento, que tem de sobra.

- Não sou bonito e acho que o que me torna querido é o meu trabalho.- diz ele, que, apesar dos dez anos de carreira, só agora faz sua primeira novela.

Cria do teatro, Wagner teve uma ascensão rápida na TV. De Carga Pesada para Sexo Frágil e agora é o protagonista da trama das sete. O atual posto ainda assusta o ator, que se surpreendeu com a coragem de Miguel Falabella - que fez questão de te-lo na novela - e do diretor Roberto Talma.

- Eles foram supercorajosos em me chamar. Nunca tinha feito novela na vida e, logo de cara, ganho o papel principal.- afirma Wagner.

De Itaparica para o Projac

Apesar de estar entre as estrelas da emissora, a chegada ao primeiro escalão da TV Globo foi à custa de teste mesmo. No reveillon de 2004, Wagner estava com a mulher, Sandra, e amigos de férias em Itaparica (BA) quando recebeu convite para um teste, a fim de fazer a novela. A primeira reação foi a de não aceitar, mas ele foi convencido pelo amigo Lúcio Mauro Filho a vir ao Rio para a prova.


- Não sabia se ia. Queria ficar na Bahia, mas Lucinho insistiu, disse que precisava fazer. Liguei para Adriana (Esteves) e ela também insistiu. O Vladimir (Brichta), a mesma coisa. Então, fui. Recebi um texto que li no avião, mas quando cheguei ao Projac era um baita teste, com vários atores. Levei um susto.- lembra.

Mais uma vez, Wagner contou com a ajuda de amigos. Estudou o texto com Vladimir e contracenou com Adriana.

- O texto ficou mal decorado e eu fui mais com a intuição. No final, deu tudo certo.- conta ele, que foi testado para os papéis de Gustavo e Tadeu (interpretado por Marcos Pasquim) e, de imediato, conquistado pela personalidade confusa do banqueiro:

- O Gustavo é cheio de problemas, inquietações, e isso o torna mais legal de se trabalhar. Se fizesse o Tadeu, jogaria com o humor, algo que conheço bem.

Amor a segunda vista

Infeliz no amor, Gustavo ainda vai batalhar muito para conquistar Heloísa. Tentou esquece-la nos braços de Beatriz (Natália Lage), mas não conseguiu.


- Torço pelo amor do Gustavo com a Heloísa. Eles se gostam de verdade. É a grande história romântica da novela. A trama com Beatriz também é legal, ela é interessante, mas não é amor.- explica o ator, que na vida real é casado há quatro anos com a fotógrafa Sandra Delgado.

Os dois se conheceram na faculdade de jornalismo - sim, Wagner é jornalista - e o amor nasceu à segunda vista.

"Sandra, a minha mulher, é quem me diz o que tenho que ouvir na cara, sem dó. Sandra cursou jornalismo comigo na Bahia, mas só fomos namorar anos depois. Ela veio morar comigo no Rio e, desde então, graças a Deus, nunca mais nos separamos.- conta Wagner, que tem na mulher uma grande companheira.

E por falar em amizade, ele preza muito as suas. Wagner tem uma forte ligação com Vladimir Brichta, Bruno Garcia, Lúcio Mauro Filho, Gustavo Falcão e Lázaro Ramos, sendo que este último é o que se pode chamar de "amigo de fé, irmão camarada".

- Não faço nada sem falar com Lazinho. Amo todos os meus amigos, mas com Lázaro tenho algo especial, espiritual mesmo.- diz ele, que na noite anterior à entrevista saiu com toda a turma para um bate-papo regado a chope.

Ator por acaso

Salvador foi o primeiro palco de Wagner, que virou sucesso no meio teatral por conta da atuação em "A máquina", de João Falcão. Mas nem tudo foi sucesso na vida do ator. Adolescente,tímido, criado no interior da Bahia, ele não se relacionava com os garotos da capital e sofria com o preconceito. Passava os dias sozinho, até que, aos 15 anos, entrou numa escola de teatro a conselho de uma amiga.

- No teatro, descobri uma galera que tinha muito haver comigo. Este encontro foi uma luz na minha vida, mais pelo aspecto social do que pelo artístico.- lembra ele.

Depois do teatro veio o cinema e Wagner não parou mais. Sua última estada foi em Cannes, onde, ao lado de Lázaro Ramos e Alice Braga, representou o Brasil no festival de cinema com o filme Cidade Baixa, de Sérgio Machado.

- Foi uma experiência maravilhosa, que quero repetir.- diz Wagner, intérprete no longa do marginal Naldinho.

Se na novela o ator faz seu primeiro ricaço, são os tipos marginais que o empolgam.

- Sempre gostei de personagens do povo, marginalizados. Eles são ricos. - diz ele, que em sua galeria de tipos elege aquele que o tornou conhecido do público: o pescador Taóca, do filme, Deus é brasileiro, de Cacá Diegues. Taóca foi importante porque me abriu uma história no cinema.

A atração pela telona é tanta que, depois de A Lua me disse, Wagner deve tirar férias da TV.

- Não sei se vou fazer outra novela tão cedo. Posso até queimar a minha língua, já que está sendo um trabalho bacana, mas o cinema nacional está num momento tão promissor que eu não quero perder esse trem.
Fonte: Canal Extra