domingo, 1 de maio de 2005

O novo queridinho

Wagner Moura estréia em novelas como galã de "A Lua me disse" e cai no gosto feminino



O QUE É QUE O BAIANO TEM?

Há quatro anos no Rio, o baiano Wagner Moura, morador de Botafogo, não conhecia a vizinha Fundação Casa de Rui Barbosa, onde o jurist e intelectual soteropolitano residiu de 1895 a 1923. A alguns passos de seu apartamento, o intérprete do galã Gustavo, de "A Lua me disse", ficou maravilhado diante dos 37 mil volumes que o museu-casa abriga na Rua São Clemente. A arquitetura em estilo néo-clássico chamou a atenção do ator, de 28 anos, que lembrou que seu pai, o sargento da aeronâutica aposentado José Moura, é um eitor voraz do famoso conterrâneo.

-Ele adora o livro "Oração aos moços- diz o ator admirado com o lugar.

- Eu nunca vim aqui e é tão perto de casa. que astral!

Atento aos detalhes de cada cômodo da casa, que é aberta (R$ 1), Wagner Moura lamenta o fato de não conhecer outros pontos como o Museu de Arte Contemporrânea (MAC), em Niterói.

- Dizem que as praias lá também são incríveis- aposta ele, que, ultimamente, temescalado o Pão de Açúcar com os amigos:

- É um programão! Eu subo pelo costão. Numa certa altura a gente desce de bondinho. É uma delícia.

Adaptado à cidade e encantado com suas belezas, ele só não abre mão de passar o carnaval em Salvador. Mesmo criticando o comércio em que a folia baiana se transformou nos últimos anos.

- O carnaval da Bahia ficou chato, sectário, perdeu a característica popular que o de Pernambuco ainda mantém. Nunca usei um abadá. Nunca botei aquela roupinha e saí naquele bloco de loiirinhos. Houve uma época, não sei se ainda é assim, que para ser aceito num bloco você tinha que mandar uma foto. Alguns blocos se orgulhavam de ter o maior número de pessoas bonitas, o quue se entende por: não existem negros. Isso é totalmente sem nexo.- diz

Mas eu descobri um circuito que é muito mais interessante do que o turistão, o da pipoca (pessoas que pulam atrás dos trios). O bloco Mudança do Garcia, por exemplo, é irreverente, engraçado. É puxado por carroça, jegue. As pessoas se fantasiam e levam faixas de protesto

E foi na festa monesca que o ator foi fisgado pela fotógrafa Sandra Delgado:

Estávamos no bloco da Margareth Menezes, que também é o máximo. Eu me apaixonei loucamente por ela. O engraçado é que ela foi minha colega na faculdade de comunicação, mas naquela época acho que faltou oportunidade de acontecer alguma coisa e o carnaval nos presenteou com esse momento. E aí rapidamente a gente viu que não dava pra ficar separado, então ela veio morar comigo.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele chegu a trabalhar no "Correio da Bahia".

- Fazia agenda, roteiro cultural. Era só pegar realease dos espetáculos e copiar. Qualquer um faz isso, não é jornalismo. Também fiz reportagem policial, mas trabalhei mais como assesor de imprensa. Até tive uma assessoria, mas faliu- conta- Achava que jornalismo era a minha praia, sim, mas fiquei pouco tempo. Tinha um ideal romântico, de reportagem investigativa, mas me desiludi muito rapidamente.

De volta a Salvador, depois de ter morado em Paulo Afonso (BA), em Marechal Hermes, subúrbio do Rio, e em Rodelas, interior baiano onde o pai nasceu, o ator resolveu fazer teatro por não se adaptar ao novo colégio.

- Meu pai é aquele nordestino que veio da roça, saiu num pau-de-arara para ganhar a vida. Então ele achava que em Rodelas, eu e minha irmã ( médica, Lediane de 26 anos) não íamos ter bons estudos. Lá o ensino era muito precário, como o ensino público no interior do Brasil. Então voltamos para Salvador. Comecei a fazer teatro porque eu não me adaptava ao colégio particular. Minha infância foi feliz, mas minha adolescência foi chata. Não acahava graça nos meus colegas, até porque eles falavam de viagens a Disney... Eram coisas distantes de mim. Não tinha amigo, era um adolescente problemático. admite.

Na trama das 19h da Rede Globo, Wagner Moura, nome reconhecido no cinema e no teatro, é o herói que já vem arrancando suspiros do público feminino. O ator atuou em "Carga Pesada", no qual interpretou Pedrinho, filho de Bino (Stênio Garcia), e no seriado "Sexo Frágil", faz o estilo galã despojado. Diz não se importa com a beleza e se veste de maneira simples, diferentemente do estilo pomposo de seu personagem. Para esta entrevista, vestiu o que mais gosta: calça jeans, meia cor de laranja e tênis verde-musgo:

- Não era uma meta ser um ator conhecido na televisão, mas estou achando tudo o máximo. Quando vim pra cá, pensei em expandir minha trajetória como ator de teatro. Mas também nunca achei que televisão fosse uma coisa menor. Às vezes tenho a impressão de que quando falam comigo sobre isso querem no fundo perguntar: por que você está fazedo TV? A resposta é simples: porque sou profissional e fazer televisão faz parte da cultura dos atores brasileiros. Assustaram-me muito, mas é impossível eu não estar feliz. E também quero ganhar dinheiro. Já fui muito duro, sem grana. Que me chamem para fazer muitos comerciais- diz bem humorado, o ator.

Beatriz: um novo amor

Com química de sobra no vídeo, o casal Gustavo (Wagner Moura) e Heloísa (Adriana Esteves) ainda vão passar por muitos maus bocados até chegar ao final feliz. Afinal, é ficção. Além do rival Tadeu (Marcos Pasquim), que quer repetir os beijos de "Kubanacan" com a mocinha, uma nova peça chegará para movimentar o quebra-cabeça. E tudo acontecerá por acaso. Gustavo irá a um barzinho e conhecerá Beatriz (Natália Lage), que trabalha no lugar. Ele abrirá seu coração no melhor estilo último-dos-românticos, e em breve o romance começará.


Fonte: Revista da TV do Jornal O Globo