quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Recordando - Sexo Frágil

A série abordava as incertezas e os conflitos masculinos e femininos, retratando com humor o comportamento do homem em relação a uma nova mulher, mais independente e moderna.

FORMATO

Autoria: Cláudio Paiva, Guel Arraes, João Falcão, Marcelo Rubens Paiva, Adriana Falcão, André Laurentino e Flávia Lacerda
Direção de núcleo: Guel Arraes
Direção-geral: João Falcão
Direção: João Falcão e Flávia Lacerda
Período de exibição: 17/10/2003 – 06/08/2004
Horário: 23h
Nº de episódios: 20



A ideia para o seriado Sexo Frágil surgiu da peça O Homem-Objeto, baseada na obra de Luis Fernando Veríssimo e dirigida por João Falcão. A peça também inspirou um quadro, com o mesmo nome, exibido no Fantástico entre 6 e 27 de abril de 2003.
O programa substituiu o seriado Os Normais nas noites de sexta-feira. O seriado descreve o dilema de quatro jovens que vivem divididos entre o papel tradicional do homem na sociedade e sua vontade de ser mais sensível, flexível e gostar de discutir a relação. Os episódios tinham em média 25 minutos de duração.

A grande novidade do seriado é que os atores interpretam não só os protagonistas masculinos, como todas as personagens femininas. Segundo o autor João Falcão, a ideia era mostrar a versão masculina dos fatos, como se eles estivessem tendo uma alucinação.
A segunda temporada de Sexo Frágil estreou em 4 de junho de 2004 com novos personagens. Os episódios ganharam uma sequência, com as histórias se complementando a cada programa. Com isso, segundo o diretor João Falcão, os personagens se humanizaram mais. Os cenários também foram modificados.

Alex (Bruno Garcia), Edu (Wagner Moura), Fred (Lázaro Ramos) e Beto (Lúcio Mauro Filho) são quatro amigos que se esforçam para entender o universo das mulheres. Os personagens discutem questões femininas fundamentais e, para isso, decidem se colocar no lugar do sexo oposto. Aparentemente, os quatro são muito seguros. Mas, por vezes, não sabem se comportar com as mulheres, que julgam ser mais preparadas para o mundo do que eles. Invariavelmente, sentem-se perdidos diante de mulheres livres, independentes e que, ao mesmo tempo, querem ser protegidas.

Edu é o mais bagunceiro do grupo. Desleixado, vive num conjugado que nunca consegue arrumar. Gosta de viajar pelo mundo e tem o sonho de ser dono de um bar. Alex é bem sucedido, despojado e sabe se virar bem sozinho. Faz o tipo largadão chique e é muito mulherengo. Já Fred é o mais organizado da turma. Jornalista, gosta de discutir sobre política e vai até o fim para sustentar sua opinião. É um pouco ansioso e, por isso, meio desastrado com as mulheres. Beto é o único do quarteto que é casado e, por isso, está mais suscetível às crises da mulher Vilminha (interpretada por Bruno Garcia), única personagem feminina fixa da série.


No episódio de estreia, Já Não Somos os Mesmos, exibido em 17 de outubro de 2003, Fred descobre que sua noiva cancelou o casamento e resolveu virar freira. Decepcionado, decide se suicidar, mas antes liga para os amigos, que largam tudo o que estão fazendo para socorrê-lo. Entretanto, eles não são bem sucedidos na tarefa de consolar o amigo que foi abandonado praticamente na beira do altar: ele mora no 28º andar do prédio e justamente naquela noite faltou luz.
Em cada história, os amigos são surpreendidos em uma série de situações, que envolvem tentativas de conquistar uma mulher, dúvidas sobre a existência do par perfeito, ciúmes, busca da eterna juventude, entre muitos outros temas. No episódio Almas Gêmeas, exibido em 31 de outubro, Edu e Fred acham que encontraram suas caras-metades, respectivamente Eva (Wagner Moura) e Frida (Lázaro Ramos). Já Beto e Alex praticamente se envolvem em um triângulo amoroso, quando o primeiro decide se separar da mulher, Vilminha, que, acreditando não ser mais comprometida, assedia Alex.
Em A Fonte da Juventude, exibido em 5 de dezembro, Fred, Alex, Edu e Beto resolvem mudar radicalmente seu estilo de vida depois de conhecerem Paulão (Vladimir Brichta), um professor de ginástica muito preocupado com a saúde. Os amigos ficam impressionados ao saber que Paulão tem mais de 50 anos e leva uma vida muito saudável, bem diferente da que estão acostumados. O problema é que, para seguir o exemplo do professor, os quatro devem parar de fumar, beber e comer besteiras, além de evitar sair com mulheres todos os dias, porque isso pode acelerar o processo de envelhecimento.

A segunda temporada de Sexo Frágil estreou com novos personagens femininos fixos. Além de Vilminha, papel de Bruno Garcia, mais três mulheres foram incorporadas ao grupo: Priscila (Lázaro Ramos), irmã de Fred; a baiana Magali (Wagner Moura); e Dona Gertrudes (Lúcio Mauro Filho), mãe de Beto, que já aparecera em alguns episódios do ano anterior.
Os cenários também foram modificados, já que Fred perdeu o emprego e foi morar com Alex, que, por sua vez, teve que alojar o amigo Edu, que largou o emprego para se tornar um “artista multimídia”. Desta forma, os três amigos passaram a dividir o mesmo apartamento. A bagunça foi tanta que Alex se cansou e expulsou Fred e Edu de casa. Para não ficarem na rua, os dois resolveram dividir um conjugado. Já Beto continuou casado com Vilminha, morando no mesmo apartamento.
Na nova temporada, Priscila, a irmã moderninha de Fred – personagem que Lázaro Ramos já havia interpretado no teatro, e que foi adaptada para a televisão –, pede para morar com o irmão porque quer tentar a carreira de modelo no Rio de Janeiro. A estudante baiana Magali aparece na casa de Alex com um anúncio de “Procura-se empregada doméstica” nas mãos. Dona Gertrudes resolve passar uma temporada na casa de seu filho e de Vilminha. É a partir daí que as histórias, os conflitos, os encontros e desencontros começam a se desenrolar. Muitas reviravoltas animam o seriado: Vilminha, por exemplo, engravida de Beto; e Edu vira uma celebridade, com várias meninas sempre ao seu redor.
Os personagens chegam ao último episódio do ano, intitulado Último Capítulo, em clima de final feliz. Edu e Priscila, após muitos desencontros, resolvem se casar, e são obrigados a enfrentar a desaprovação de Fred e de seus pais - ambos interpretados pelo cantor Derrick Green, do grupo Sepultura. Alex se declara perdidamente apaixonado por Magali, quando ela ameaça voltar para Salvador após tentar conquistá-lo de todas as formas, sem êxito. Beto, mesmo com medo, perde a insegurança e consegue fazer o parto de Vilminha. Ela se surpreende com a força do marido, e os dois comemoram o nascimento do bebê. Dona Gertrudes, finalmente, pergunta ao porteiro Carniça (Zéu Brito) se ele aceita ser o avô de seu neto, e ele aceita. Fred tem um final feliz ao lado de Heloísa (também interpretada por Zéu Brito), mesmo sabendo que ela é garota de programa.
A experiência vivida pela equipe em Sexo Frágil gerou outro programa, exibido como especial de fim de ano em 28 de dezembro de 2004. Em Programa Novo, que também teve redação final de Guel Arraes e João Falcão, com direção deles e de Flávia Lacerda, os quatro atores, que interpretavam a si próprios, tinham o desafio de criar um programa inédito para uma emissora de televisão. Eles tentavam se livrar de um bloqueio criativo, prometendo ficar longe das baixarias, apelações, violência e de “homem vestido de mulher”. Mas as tentativas de fugir das mulheres de Sexo Frágil foram em vão: Priscila, Vilma, Magali e Dona Gertrudes voltaram com tudo.
O especial também contou com as participações de Lúcio Mauro, como diretor da emissora, e Alinne Moraes, no papel de uma secretária, musa inspiradora do quarteto da ficção.



 *Episódios

Primeira temporada

Já Não Somos os Mesmos (17/10/03); 
O Dia da Caça (24/10/03);  
Almas Gêmeas (31/10/03); 
Vapor Barato (07/11/03); 
Hoje é Dia de Jogo (14/11/03); 
Minha Vida Não é um Sitcom (21/11/03); 
Uma Deusa Chamada Soraya (28/11/03); 
A Fonte da Juventude (05/12/03); 
Para que Serve o Homem? (12/12/03); 
Décimo Episódio (19/12/03).

Segunda temporada

Um Programa Pequeno Demais para Todos Nós (04/06/04); 
Encontros e Desencontros (11/06/04); 
Pai Herói (18/06/04), 
A Grande Chance (25/06/04); 
Tudo ou Nada (02/07/04); 
Como Dar o Fora (09/07/04); 
Nasce uma Estrela (16/07/04); 
O Ciúme (23/07/04); 
As Mulheres que Dão pra Gente (30/07/04); 
Último Capítulo (06/08/04).

CENOGRAFIA E ARTE

Para montar os cenários dos apartamentos de Sexo Frágil, a equipe de cenografia, coordenada por Cláudio Domingos, foi à casa de alguns homens solteiros, inclusive do elenco, para buscar soluções masculinas para pequenos problemas do dia a dia, como esconder com um quadro o buraco do ar condicionado. Já que os personagens são jovens que moram em espaços pequenos, foi preciso usar a criatividade para organizar os objetos de acordo com a personalidade de cada um.

O conjugado de Edu (Wagner Moura), por exemplo, precisava abrigar sua bicicleta e seus pertences de viagem. Já Fred (Lázaro Ramos) tem muitos livros e seu apartamento é repleto de estantes e prateleiras. Alex (Bruno Garcia) é o mais despojado de todos, o que fez com que a equipe de produção optasse por uma cama diretamente no chão. E Beto (Lucio Mauro Filho), único casado da turma, mora numa casa com toques femininos e um ar romântico, com vasos de plantas, fotos do casal e badulaques. A arquitetura japonesa, que desafia a falta de espaço em pequenos conjugados em Tóquio, foi uma das inspirações da equipe. O toque final dos cenários ficou por conta do produtor de arte Luiz Pereira – que também assinou as novelas Sabor da Paixão, Coração de Estudante e Estrela Guia.

FIGURINO E CARACTERIZAÇÃO

Para montar a composição visual das personagens femininas, a supervisora de caracterização Lu Moraes fez uma pesquisa de comportamento, entrevistou transformistas e se inspirou em filmes como Tootsie, em que Dustin Hoffman aparece vestido de mulher. Foram utilizadas perucas de vários estilos, confeccionadas sob medida para a cabeça de cada ator, cores fortes de batons e a técnica do lifting para esticar a pele dos atores, o que deixa as sobrancelhas mais arqueadas e modifica a expressão do rosto.
Em dias de gravação, os atores passavam horas se preparando. A equipe formada por maquiadores, esteticistas, cabeleireiros e manicures os ajudava a fazer depilação, tirar o excesso de pelos nas sobrancelhas com pinça – o mais doloroso dos processos, de acordo com os atores -, remover as cutículas das mãos, pintar as unhas dos pés, aplicar uma boa camada de maquiagem e cílios postiços e modelar as perucas com escova e penteados cada dia mais diferentes.

A figurinista Cláudia Kopke procurou compor mulheres modernas, com uma caracterização bem natural. Já no caso dos personagens masculinos, houve a preocupação em ressaltar em cada um a marca de sua personalidade. Alex (Bruno Garcia) estava sempre bem vestido e arrumado; Beto (Lucio Mauro Filho) usava óculos e gostava de sobreposições – camisas com camisetas por baixo; Edu (Wagner Moura) ganhou uma peruca com dread para valorizar seu estilo moderno e relaxado; e Fred (Lázaro Ramos), o intelectual do grupo, se vestia de forma elegante e sofisticada.

CURIOSIDADES

Na gravação do primeiro episódio de Sexo Frágil, Wagner Moura e Bruno Garcia esbanjaram fôlego para subir e descer os dois únicos lances de escada construídos no Projac para reproduzir os 28 andares do prédio em que morava Fred (Lázaro Ramos). A cada frase do texto que diziam, o número ao lado da porta do elevador do cenário era trocado para indicar a mudança de andar. Na ânsia de dar mais agilidade à cena, Wagner acabou batendo com a lanterna nas pernas de Bruno. Depois, escorregou e levou um tombo – protagonizando a primeira “videocassetada” do programa.


No primeiro episódio da primeira temporada, Já Não Somos os Mesmos, o ator Thiago Fragoso fez uma participação especial como um argentino que dança tango com uma mulher interpretada por Wagner Moura. Já no episódio Uma Deusa Chamada Soraya, exibido em novembro de 2003, Thiago Fragoso interpretou a personagem do título, uma mulher bonita e misteriosa que seduz os quatro amigos.
Além de Thiago Fragoso, os atores Zéu Brito, Dado Dolabella, Vladimir Brichta, Aramis Trindade, Edmilson Barros e Caio Junqueira também fizeram participações no seriado. Dado Dolabella interpretou Gerônimo, um famoso jogador de futebol, no episódio Hoje é Dia de Jogo, levado ao ar em 14 de novembro de 2003. Aramis Trindade interpretou o cantor Roberto Carlos no Décimo Episódio, exibido em 19 de dezembro de 2003, o último da primeira temporada.
Em 2004, o canal GNT levou Sexo Frágil para os telespectadores de Portugal.
Em setembro de 2004, os dez episódios da primeira temporada foram lançados pela Globo Vídeo e pela Som Livre em DVD duplo.

TRILHA SONORA

O tema de abertura do seriado era a música Gosto Que Me Enrosco, um samba de Sinhô e Heitor dos Prazeres, de 1929, que dizia: “Não se deve amar sem ser amado/ é melhor ser crucificado/ Deus me livre das mulheres de hoje em dia/ Gosto que me enrosco de ouvir dizer/ que a parte mais fraca é a mulher/ mas o homem, com toda a fortaleza/ desce da nobreza e faz o que ela quer”.

FICHA TÉCNICA

Elenco fixo:
Bruno Garcia – Alex e Vilminha
Lázaro Ramos – Fred e Priscila
Lúcio Mauro Filho – Beto e Dona Gertrudes
Wagner Moura – Edu e Magali
Elenco de apoio:
Álvaro Bernarde
André Artech
Arley Veloso
Damião Vieira
Fernando Vianna
George Martins 
Ricco Viana
Rodrigo Fagundes
Wendell Bendelack
Cenografia: Marie Odile
Figurino: Helena Araújo
Direção de fotografia: Nonato Estrela
Produção de arte: José Artur Camacho
Produção musical: André Moraes
Direção musical: Mariozinho Rocha
Caracterização: Lu de Moraes
Edição: Ubiraci Mota
Sonoplastia: Henrique Abreu
Efeitos visuais: Chico Mauro
Efeitos especiais: Marco de Paula
Câmeras: Maurício Azevedo e Paulo Violeta
Continuidade: Helena Duran
Assistente de direção: Alex Cabral
Produção de engenharia: Marcelo Fernandes
Gerência de produção: Verônica Esteves
Direção de produção: Guilherme Bokel 

Veja alguns vídeos da série:



Existe um Dvd da primeira temporada, mas é bem difícil de conseguir comprar, tem alguns no Mercado Livre (clique aqui)

Fonte: Memória Globo

Por: Paula Andréia

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Novidades do Blog!

Olá pessoal!

Venho explicar alguns recursos do blog, pois sempre tenho a sensação de que as pessoas não conseguem navegar perfeitamente por aqui.

Começando com o menu horizontal:

Lá vocês encontram as opções: Home (sempre volta para página inicial do blog), Biografia (um resumo da carreira do Wagner), Filmografia, Televisão, Teatro, Sua Mãe (um blog especial com matérias da banda do Wagner), e por fim, Contato (preenchendo o formulários vocês encaminham um e-mail direto para a gente).


Clicando no botão "Filmografia" do menu horizontal, abre uma página com os trabalhos que o Wagner fez no cinema. Lá vocês encontrarão uma imagem do personagem, o nome do filme, do diretor, o ano, vídeo (que se vocês clicarem abre um vídeo ou o trailer do filme) e o "saiba mais". Clicando no "Saiba Mais", vocês encontrarão um resumo do trabalho todo, com curiosidades, mais fotos e vídeos.

Eu ainda estou construindo de todos os trabalhos, talvez alguns ainda não estejam completos, mas em breve estarão.


A mesma coisa acontece no botão "TV" do menu horizontal:

No blog você também encontrará o conteúdo da Página do Facebook. Lá eu tento recordar vários momentos, frases, fotos, vídeos, personagens e trabalhos do Wagner Moura.

Continuamos divulgando outros trabalhos nossos (meu e da Carol) nas parcerias:

E por fim, eu sempre atualizo os filmes e programas do Wagner que passarão na Tv aberta e paga, basta acompanhar aqui no blog também:


Continuarei postando os quadros "Filmografia" e "Recordando" para vocês!
Espero que gostem de tudo o que é feito aqui para vocês - fãs do Wagner Moura - pois é tudo feito com muito carinho por mim.

Qualquer dúvida, escrevam-me.

Obrigada.

Paula Andréia

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Novidades

video

Um vídeo feito pelo Wagner sobre o nosso trabalho que é feito há anos com muito carinho.

Pedimos este vídeo a ele, pois após um episódio político em que usaram de maneira indevida a imagem do Wagner, muitos começaram a chamar nosso trabalho de "fake".
Vocês podem assistir e ver o que ele mesmo comenta.

E como vocês podem notar, o blog está de cara nova! É sempre muito bacana mudar o visual. Ainda mais que recebemos fotos exclusivas para isso!

Como sempre o topo foi feito pela querida Gabriela Marques, e deixo aqui o meu sincero agradecimento.

Continuarei postando sobre os trabalhos mais antigos do Wagner, pois o pessoal tem me pedido muito.

É isso pessoal! Eu e a Carol continuaremos tentando fazer o melhor para vocês!

Paula Andréia

sábado, 25 de outubro de 2014

Estação Central do MetrôRio abrigará exposição sobre Hamlet


A exposição "Hamlet - A Tragédia do Príncipe da Dinamarca", de William Shakespeare, traduzida e adaptada por Aderbal Freire Filho, será inaugura no dia 28/10, às 18h30 na estação Central do MetrôRio, e contará com fragmentos do texto da obra ilustrada com 12 fotografias da peça Hamlet, protagonizada por Wagner Moura. As fotos de autoria de Guito Moreto retratam as cenas mais impactantes da peça dirigida por Aderbal com a participação de Fabio Lago, Tonico Pereira, Caio Junqueira, Georgiana Góes, entre outros e estarão expostas em painéis fotográficos, em várias dimensões.



Na inauguração da mostra haverá performance da atriz Krika Silva, que vai percorrer a estação fazendo um monólogo com falas de Ofélia personagem da peça de Sheakspeare. Nos dias 30 e 31 de outubro, acontecerão oficinas de arte e literatura voltadas para o público infanto-juvenil com temas ligados à obra de Shakespeare, onde o participante vai escolher um personagem, montar um fantoche e interpretar uma cena da peça.

Além de Hamlet, outras obras de Shakespeare como Romeu e Julieta, Macbeth, O Mercador de Veneza, Rei Lear, A Megera Domada, entre outros, estarão expostas na vitrine e disponíveis para empréstimo na Biblioteca Estação Leitura, localizada na estação Central do Metrô. As frases mais contundentes de Sheakspeare, como "Ser ou não ser... eis a questão" (Hamlet); "O poder é a escola do crime" (Macbeth); "Assim que nós nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos" (Rei Lear); e a sua cronologia serão veiculadas nos painéis multimídia instalado na estação Central do Metrô.

Cristina Oldemburg, diretora do Instituto Oldemburg, ressalta a importância de levar ao público da estação Central do metrô, na Central do Brasil por onde passam diariamente mais de 100 mil pessoas, uma das obras mais importantes da literatura mundial. Hamlet é a peça mais encenada mundialmente desde a sua criação.

"Esse protagonismo do teatro na tragédia do príncipe Hamlet exige, cobra, roga que o teatro dê em troca tudo o que tem para contar a história do dito príncipe. Uma peça sobre o teatro e o teatro lá, cheio das suas infinitas possibilidades, os alçapões, as mágicas, os mil e um cenários, os dias, as noites, as aparições e desaparições súbitas, a mudança de lugar dentro de uma mesma cena, e muito mais, tudo isso na palma da minha mão. Na palma da sua mente, meu caro elizabetano II. Basta você jogar junto, construir quando construímos, desconstruir quando desconstruímos, imaginar o que está sugerido - e enquanto os atores jogam o tempo inteiro o jogo mágico do teatro, você viaja para a bróduei fascinante da sua própria imaginação." (prefácio de Aderbal Freire Filho no livro Hamlet - A Tragédia do Príncipe da Dinamarca de W. Shakespeare).

A Biblioteca Estação Leitura é patrocinada pelo MetrôRio, uma empresa do grupo Invepar. A Concessionária possui um setor de Responsabilidade Social, que apoia iniciativas como treinamentos, cursos, programas ambientais, sociais, artísticos, culturais e educacionais. O objetivo é reforçar os vínculos com seus colaboradores, com as comunidades localizadas em áreas próximas às estações e, principalmente, com a sociedade.

Fonte: SRZD

'Trash', com Wagner Moura e Selton Mello, é vencedor do Festival de Roma

O filme "Trash - A esperança vem do lixo" foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Roma de 2014. O resultado foi anunciado neste sábado, (25) na capital italiana. O longa foi dirigido pelo inglês Stephen Daldry, de "Billy Elliot" e "As horas", filmado no Brasil, e tem no elenco atores brasileiros (Wagner Moura, Selton Mello") e estrangeiros (Rooney Mara, Martin Sheen).

Coprodução entre Brasil e Inglaterra,"Trash" ganhou o prêmio BNL People’s Choice, concorrendo com obras como "Garota exemplar", de David Fincher, "Black and white", de Mike Binder, e "Escobar: Paradise lost", de Andrea Di Stefano.

Neste ano, as principais categorias do festival de Roma foram escolhidas por votação do público. O diretor brasileiro Walter Salles foi homenageado com o prêmio Marc’Aurelio Lifetime Achievement Award.

Os protagonistas de "Trash" são três adolescentes estreantes, encontrados após seis meses de testes em comunidades do Rio. Rickson Tevez, da Rocinha, Gabriel Weinstein, da Cidade de Deus, e Eduardo Luis, de Inhaúma, interpretam moradores de um lixão que encontram uma carteira e se envolvem em uma trama de corrupção. Selton Mello é um policial violento, Wagner Moura, um homem perseguido; Martin Sheen, um padre missionário e Rooney Mara, uma professora de inglês de uma ONG.

Imagem de divulgação de 'Trash -  A esperança vem do lixo' (Foto: Divulgação)

Wagner Moura vive um homem perseguido, José Ângelo, em 'Trash' (Foto: Divulgação / Daniel Behr)


Fonte: G1

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Astros do cinema brasileiro, Wagner Moura e Selton Mello têm no filme ‘Trash’ seu primeiro encontro nas telas


Produção dirigida pelo inglês Stephen Daldry, o mesmo de ‘Billy Elliot’, estreia no Brasil nesta quinta-feira. 




RIO — Há muitas formas de se enxergar o encontro inédito que poderá ser visto, a partir desta quinta-feira, nos cinemas brasileiros. O Capitão Nascimento com o Palhaço Pangaré? O salva-vidas Donato com o atormentado Lourenço? O cientista Zero com o imigrante Jean Charles? O malandro Naldinho com o medroso Chicó? Ou o presidiário Zico com o traficante Johnny?

Em todos os pontos de vista, independentemente do personagem que mais marcou os fãs, o baiano Wagner Moura e o mineiro Selton Mello são dois dos atores mais celebrados do cinema brasileiro contemporâneo. Juntos, eles acumulam quase 70 prêmios, mas nunca haviam contracenado juntos até receberem um convite do inglês Stephen Daldry para integrar o elenco de “Trash — A esperança vem do lixo”. O filme é uma megaprodução internacional, toda rodada no Rio, que estreia nesta quinta no Brasil e que marca o primeiro encontro entre Wagner e Selton, logo como antagonistas e com direito a uma cena de tortura.

— Teve um dia em que a gente passou um tempo lá em casa bebendo vinho e conversando sobre achar alguma coisa para fazer juntos. A ideia era tocar logo alguma coisa, antes que aparecesse um gringo e convidasse a gente. Mas o gringo apareceu antes _ conta Wagner.

 O lance é que ainda somos novos, tínhamos tempo para encontrar os papéis certos — acrescenta Selton. — Aliás, eu tinha chamado o Wagner para ser o protagonista de “O palhaço” (filme de 2011, dirigido pelo próprio Selton). Só que ele estava trabalhando no “Tropa de Elite 2” (2010) e não pôde. Acabou que foi o Wagner que me incentivou a fazer meu personagem no “Palhaço”.

Em “Trash”, Wagner vive José Angelo, um homem idealista que tenta denunciar um esquema de corrupção, enquanto Selton interpreta o policial mau-caráter Frederico. Os dois são coadjuvantes de um thriller centrado em três meninos (vividos pelos novatos Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein) que encontram uma carteira num lixão e passam a percorrer a cidade para solucionar o mistério associado à descoberta.

Também com as participações de Martin Sheen e Rooney Mara, “Trash” é o quinto longa-metragem de Daldry, cineasta que conseguiu levar para a disputa do Oscar todos os seus filmes anteriores: “Billy Elliot” (2000), “As horas” (2002), “O leitor” (2008) e “Tão forte e tão perto” (2011).

— Falar sobre Selton e Wagner é igual a quando perguntam como foi dirigir Meryl Streep. O que posso dizer? Foi fabuloso. Eu não precisava falar muita coisa para eles, apenas pedia que eles fizessem a cena e eles faziam — explica Daldry, que voltou ao Brasil nesta semana para apresentar “Trash” na sessão de encerramento do Festival do Rio, anteontem.

Os dois atores revelam que seu primeiro encontro com Daldry foi bem mais simples do que esperavam para um diretor requisitado. Não houve testes, longas conversas ou seleção de elenco. Daldry apenas almoçou com cada um deles e fechou a parceria.

— Eu imaginei que faria 200 testes com o cara para ele ficar convencido, mas não teve nada disso. Acho que ele já tinha visto “O cheiro do ralo” (2006) e “O palhaço” e usou aquele almoço só para me sacar — afirma Selton. — Ele tem um lance sensível de olhar para você e te entender. No set era parecido. Ele às vezes pedia para a gente improvisar, para fazer as cenas de outro jeito. A gente fazia e, mesmo sem entender português, ele dizia que daquele novo jeito estava melhor. Acho que ele prestava atenção na musicalidade, no jeito como a gente falava.

O que certamente mais vai chamar a atenção dos espectadores no trabalho de Wagner e Selton é uma cena de tortura policial, em que o primeiro apanha do segundo. A sequência foi gravada no início do ano, quase dois meses após o término das filmagens.

— Acho que, quando eles terminaram o filme, perceberam que não tinham colocado nós 
dois juntos. E então nos ligaram e pediram para voltarmos para uma gravação extra — brinca Wagner. — Falando sério, é uma cena importante para a história. E foi um negócio meio forte, eu usava uma maquiagem pesada. Mas o pior foi que eu perdi um pedaço da minha córnea na gravação. Não sei bem o que aconteceu, acho que foi na hora de tirar a maquiagem. Mas eu tinha que viajar para o Festival de Berlim, para apresentar o “Praia do Futuro” no dia seguinte. Passei a noite no médico e viajei com uma lente de proteção no olho.

Para o público brasileiro que assistir a “Trash”, Wagner e Selton servirão como elos entre a visão de um inglês sobre a realidade do país. Com roteiro de Richard Curtis (de “Quatro casamentos e um funeral” e “Um lugar chamado Notting Hill”), o filme é focado nos desejos e na esperança de três meninos pobres, mas passa por temas como miséria, corrupção e truculência policial. É o tipo de produção que certamente vai gerar uma pergunta: o que diabos estrangeiros sabem para tratar dos problemas brasileiros?

— Eu acho bom que seja um olhar diferente. E acho que essa resistência que costuma haver dos brasileiros para olhares estrangeiros é um pouco xenófoba, como se só a gente pudesse enxergar e falar sobre nossos problemas — diz Wagner. — É bom que venha um cara da estatura do Daldry para abordar esses assuntos.

De certa forma, o próprio Wagner participa hoje de uma produção que leva um olhar estrangeiro para outro país. Ele fez uma pausa de três dias para vir ao Festival do Rio, mas tem passado quase todo o seu tempo na Colômbia, onde grava, sob direção de José Padilha, a série “Narcos”. Trata-se de uma produção exclusiva da Netflix, com estreia prevista para o ano que vem, sobre o cartel do colombiano Pablo Escobar, personagem de Wagner.

Já Selton tem se dedicado à pré-produção de “O filme da minha vida”, seu próximo longa como ator e diretor. A obra é baseada no livro chileno “Um pai de cinema”, de Antonio Skármeta, o mesmo autor de “O carteiro e o poeta”, e será rodada no primeiro semestre de 2015. Depois, ele irá atuar em “Zama”, o novo filme da argentina Lucrecia Martel.

— Ajudo a coproduzir meus filmes e vejo a dificuldade gigante que é, como a burocracia emperra tudo, como filmar hoje no Rio é caríssimo — diz Selton, destacando a relevância do movimento Rio: Mais Cinema, Menos Cenário, lançado por um grupo de cineastas durante o Festival do Rio para pedir mudanças nas políticas para o audiovisual de estado e prefeitura. — É importante deixar claro que outra linguagem pode ser feita, não só os filmes comerciais. Temos que ter todos os tipos de cinema.

Selton e Wagner são, certamente, bons exemplos de atores que dialogam bem entre o cinema comercial e o cinema de arte. No currículo do primeiro estão obras como “O auto da compadecida” (2000), “Lavoura Arcaica” (2001) e “Meu nome não é Johnny” (2008). No do segundo aparecem “Cidade Baixa” (2005), “Tropa de elite” (2007) e “Elysium” (2013).

Antes de “Trash”, o único trabalho em que os nomes dos dois surgiram nos créditos foi no filme “Nina” (2004), de Heitor Dhalia, em que tiveram papéis mínimos e não contracenaram. Agora, para o futuro, quem sabe?, isso pode mudar.

— Selton é a referência da nossa geração. É um farol. Tudo o que a gente queria fazer, ele fez antes — afirma Wagner.

— Se eu era referência, ele foi além. Wagner é o maior ator da minha geração. No dia em que a gente rodou a cena da tortura em “Trash”, prestei atenção no método dele e consegui entender como seus personagens são tão profundos — diz Selton.

Fonte: O Globo

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Wagner Moura e Selton Mello falam sobre o filme Trash – A Esperança Vem do Lixo


Trash – A Esperança Vem do Lixo reúne no elenco os dois maiores atores brasileiros de sua geração. No filme dirigido pelo cineasta inglês Stephen Daldry, Selton Mello e Wagner Moura contracenam rapidamente em um par de sequências – mas seus personagens imprimem o tom da trama, encarnando os polos opostos da história em que três garotos encontram em um lixão uma carteira com pistas que levam a um tesouro. O jornalista Roger Lerina conversou com a dupla de astros no Rio de Janeiro, cidade onde se desenrola essa fábula contemporânea.


Fale sobre seu personagem.

Faço José Angelo, um personagem bem bonito. É um papel pequeno, que aparece em algumas cenas do filme, a maioria das vezes em flashback. Ele é o cara que começa essa história toda: ele trabalha durante 18 anos na casa de um político corrupto para fazer uma coisa que muda a vida de muita gente, especialmente as das crianças. Os meninos são meio que guiados pelo espírito desse cara, do que ele fez. Elas fazem o que acham que é certo porque esse cara fez o que achava que era certo.

A imagem que Trash mostra é a de uma realidade marcada pela injustiça social e pela violência. O que você acha disso?

A arte de maneira geral é um espelho da vida. A nossa vida no Brasil infelizmente é muito afetada pela corrupção, pela violência, pela maneira como a polícia trata os mais pobres. Se o filme iria falar sobre essa realidade, era inegável que fôssemos tocar nesses temas.

Como foi trabalhar com Stephen Daldry?

A gente encontra muitos diretores na vida, mas encontros poderosos como esse com o o Stephen acontecem apenas de tempos em tempos. Ele não fala português, e era bonito ver como o ouvido dele funcionava intuitivamente. Ele dirigia a cena como se fosse uma música. Mandava você seguir por um caminho totalmente diferente. Nós, atores, às vezes resistimos a isso, mas eu faria qualquer coisa que ele mandasse. Acho bacana ter um diretor olhando o Brasil do jeito dele. Ele me prometeu que, se tiver um personagem falando inglês com sotaque estranho no próximo filme dele, vai me chamar (risos). Queria trabalhar mais com ele.

Você está muito parecido com o traficante colombiano Pablo Escobar por conta das gravações do seriado Narcos, do Netflix, certo?

Nós filmamos os dois primeiros episódios, que são dirigidos pelo José Padilha (diretor de Tropa de Elite). Quando eu voltar para a Colômbia, começaremos a filmar com o Guillermo Navarro (realizador e diretor de fotografia mexicano), que vai dirigir os episódios três e quatro. Está tudo indo superbem, um elenco incrível! Nós aqui no Brasil estamos ilhados em relação ao que acontece na América Latina, e esse projeto reúne atores da Argentina, do Chile, do Peru, da Bolívia, os melhores atores desses países. São atores que eu não conhecia, porque a gente fica aqui consumindo nossa própria cultura. Deve ir ao ar em 2015, mas não sei quando.

Trash fica entre o real e a fábulaPor Roger Lerina

Em Trash – A Esperança Vem do Lixo, o diretor Stephen Daldry e o roteirista Richard Curtis levaram para o Rio de Janeiro a trama original de Andy Mulligan. Na novela do escritor inglês –  editada no Brasil pela Cosac Naify – , a história se passa em um país de Terceiro Mundo não nomeado, mas que poderia ser qualquer um da América Latina. Com a colaboração do brasileiro Felipe Braga, o roteiro do filme situa o enredo no Rio de Janeiro de hoje, onde os adolescentes Raphael, Gardo e Rato –  interpretados por jovens estreantes, selecionados em comunidades cariocas –  encontram uma misteriosa carteira no lixão em que trabalham.

A descoberta detona uma dupla caçada: o trio de garotos tenta desvendar o segredo que o fugitivo José Angelo (Wagner Moura) deixou cifrado entre seus pertences, enquanto o policial Frederico (Selton Mello) persegue os meninos pela cidade, reportando sua busca a um poderoso político –  interpretado pelo ator Stepan Nercessian.

Trash evoca dois longas do cineasta Danny Boyle, Caiu do Céu (2004) e Quem Quer Ser um Milionário? (2008): como no primeiro, os pequenos protagonistas também testemunham a maneira de as pessoas agirem moralmente diante da riqueza e do poder; já do oscarizado segundo título, o filme em cartaz nos cinemas recorda a dura vida das crianças que crescem à margem das grandes cidades dos países em desenvolvimento.

O problema do roteiro de Curtis – autor das histórias de comédias de sucesso como Dois Casamentos e um Funeral (1994) e Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) – é um maniqueísmo que acaba parecendo artificial. Bons e maus são esboçados sem nuanças na tela, dificultando a identificação com personagens imersos em uma sociedade complexa e contraditória como a brasileira. Somado a certas improbabilidades do enredo, Trash fica a meio caminho entre o cru retrato político e social do país e uma fábula moral de esperança e redenção relativamente descolada do registro da realidade. 

Fonte: Zero Hora